O Ministério da Saúde está preparando as condições para disponibilizar gratuitamente medicamentos usados no tratamento da obesidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O anúncio ganhou destaque após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmar, em 17 de setembro, durante visita a Montes Claros (MG), que pacientes com obesidade poderão receber o tratamento de forma gratuita, mediante indicação médica. Apesar disso, a distribuição em todo o Brasil ainda não começou.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a oferta será feita de maneira responsável, com base em estudos científicos e na definição de um protocolo clínico. O governo atualmente avalia principalmente medicamentos à base de semaglutida e busca estabelecer quais pacientes poderão ter acesso ao tratamento, em quais situações ele será indicado e como será feito o acompanhamento médico.
Uma das principais iniciativas é o estudo Real-Bari, desenvolvido pelo Ministério da Saúde em parceria com o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. A pesquisa acompanha 250 pacientes do SUS com obesidade grave ou associada a outras doenças. Entre os grupos avaliados estão pessoas que aguardam cirurgia bariátrica, pacientes com obesidade e problemas cardíacos e mulheres que tiveram câncer de mama.
A definição das regras ainda está em andamento e, até 19 de setembro de 2026, não havia confirmação de que qualquer pessoa com sobrepeso ou obesidade pudesse simplesmente procurar uma unidade do SUS e receber uma caneta. Também não havia sido estabelecida uma data para o início da distribuição ampla em todo o país. O governo pretende utilizar os resultados dos estudos para definir critérios de segurança, indicação médica e acompanhamento dos pacientes.
A semaglutida, por sua vez, não deve ser confundida automaticamente com uma determinada marca comercial. Medicamentos como Ozempic e Wegovy utilizam a substância, mas o estudo realizado pelo SUS não significa que essas marcas tenham sido incorporadas à rede pública. Em julho, a Anvisa registrou cinco novas canetas de semaglutida no país, ampliando a quantidade de opções disponíveis para o tratamento de doenças relacionadas à substância.
O Ministério da Saúde também informou que existem atualmente 14 produtos registrados no Brasil para o combate à obesidade e que o aumento da concorrência contribuiu para a redução dos preços nas farmácias. A estratégia do governo, segundo Padilha, é ampliar o acesso ao tratamento dentro de critérios médicos, evitando que os medicamentos sejam utilizados apenas com finalidade estética.














