A coleta de lixo em Cuiabá foi parcialmente interrompida na quarta-feira (26), depois que trabalhadores da Locar Saneamento Ambiental, empresa responsável pelo serviço, paralisaram parte das atividades. A mobilização reduziu a operação para aproximadamente 30% da frota, segundo informações divulgadas pelos próprios coletores. Cerca de nove caminhões teriam permanecido em circulação durante o período de paralisação.
Os trabalhadores afirmaram que a mobilização ocorreu devido a um impasse com a empresa em relação a compromissos discutidos anteriormente durante as negociações. Entre as reivindicações estava a formalização de uma garantia de estabilidade de um ano para integrantes de uma comissão formada pelos funcionários. A categoria sustentou que a paralisação somente terminaria após a empresa formalizar o acordo.
O movimento chegou a provocar atrasos na coleta e acúmulo de resíduos em diferentes regiões da Capital. Reportagem do Diário de Cuiabá apontou que bairros como Pascoal Ramos, Santa Terezinha, Parque Atalaia, Parque Cuiabá, Pedra 90 e Altos do Boa Vista foram afetados. A cidade produz entre 600 e 700 toneladas de resíduos por dia, o que aumenta o impacto de uma redução significativa na frota.
Ainda na tarde de quarta-feira, entretanto, a situação começou a ser normalizada. A Prefeitura de Cuiabá informou que a Empresa Cuiabana de Zeladoria e Serviços Urbanos (Limpurb) restabeleceu 100% da coleta a partir das 14h e programou atendimento para mais de 20 bairros no mesmo dia. Entre as regiões citadas estavam Pedra 90, Pascoal Ramos, Jardim Vitória, Jardim União, Jardim Florianópolis, Ribeirão da Lipa, Despraiado, Cidade Alta, Cidade Verde, Goiabeiras, Morada do Ouro, Santa Rosa, Porto e Centro, além de distritos e comunidades rurais.
A retomada ocorreu após a Justiça do Trabalho conceder tutela de urgência favorável à Locar e determinar a liberação dos acessos à garagem da empresa. A decisão foi proferida pela juíza titular Tatiana de Oliveira Pitombo, em ação apresentada contra nove coletores apontados como integrantes da comissão de trabalhadores. Segundo a decisão, imagens, vídeos e e-mails apresentados pela empresa indicariam obstrução dos acessos e interferência no funcionamento do serviço.
Apesar da normalização da coleta, o conflito trabalhista permanece como ponto de atenção. A Locar afirma que já havia atendido parte das reivindicações, incluindo vale-lanche de R$ 180, vale-alimentação de R$ 1,1 mil e vale-combustível para coletores. A empresa também informou que concedeu reajuste salarial de 7,89% em fevereiro, elevando o salário-base para R$ 1.903,13, além do adicional de insalubridade de 40%.













