Operação apreende quatro Rolex e mira suplente de deputado em Cuiabá

A Polícia Civil deflagrou nesta terça-feira (25), em Cuiabá, a Operação Mandato Espúrio, que investiga supostas irregularidades financeiras superiores a R$ 1 milhão envolvendo o Instituto Mato-Grossense de Feijão, Pulses, Colheitas Especiais e Irrigação (Imafir-MT). Um dos principais alvos é o suplente de deputado estadual e candidato à Assembleia Legislativa de Mato Grosso pelo PSDB, Hugo Garcia, que também já presidiu o instituto. 

Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, os policiais encontraram quatro relógios da marca Rolex na residência de Hugo Garcia. A reportagem do Voz MT identificou visualmente as peças como modelos Datejust, Submariner Date, Datejust 36 em aço e ouro amarelo e Submariner Date conhecido como “Starbucks”. As estimativas divulgadas para exemplares equivalentes variam de aproximadamente R$ 70 mil a R$ 129,4 mil por unidade. Os valores, entretanto, são referências de mercado e não representam avaliação pericial definitiva dos objetos apreendidos. 

Além dos relógios, foram apreendidos outros materiais durante as buscas, incluindo arma de fogo, munições, joias, aparelhos celulares e um computador. Os objetos e documentos recolhidos deverão passar por análise e perícia, que poderão auxiliar os investigadores a esclarecer as movimentações financeiras e a eventual relação dos bens com os fatos investigados. A operação também atingiu o ex-diretor executivo do Imafir-MT, Afrânio Migliari. 

Segundo a Polícia Civil, as movimentações financeiras sob suspeita ultrapassam R$ 1 milhão e ocorreram durante um período de disputa pelo comando e pela representação legal do Imafir-MT. Uma das transações investigadas envolve aproximadamente R$ 774 mil, que teriam sido destinados a uma conta pessoal e a uma empresa pertencente ao então diretor executivo do instituto. Outra movimentação, de R$ 270 mil, teria sido direcionada a um escritório de advocacia. 

A investigação apura, em tese, os crimes de furto qualificado, estelionato e falsidade ideológica. A Justiça determinou ainda o bloqueio de contas bancárias e a suspensão dos acessos dos investigados aos recursos do Imafir-MT, incluindo credenciais eletrônicas, tokens, certificados digitais e outros mecanismos utilizados para realizar operações financeiras. O instituto é tratado como vítima no inquérito e, segundo a Polícia Civil, colabora com as investigações. 

A Operação Mandato Espúrio ainda está em fase de investigação e a apreensão dos bens não significa, por si só, que eles tenham origem ilícita ou que os investigados sejam responsáveis pelos crimes apurados. A Polícia Civil deverá analisar o material recolhido para verificar a participação individual dos envolvidos e decidir sobre eventuais medidas posteriores.

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