Dino autoriza PF a acessar dados de produtora de “Dark Horse”

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta segunda-feira (24) que a Polícia Federal tenha acesso a dados e provas coletados pela Polícia Civil de São Paulo em uma investigação envolvendo a Go Up Entertainment, produtora do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. O material deverá ser utilizado na apuração federal sobre a possível destinação irregular de emendas parlamentares para o financiamento da produção.

A investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo apura suspeitas de fraudes e desvios de recursos públicos relacionados a um contrato de R$ 108 milhões firmado pela Prefeitura de São Paulo com o Instituto Conhecer Brasil. A entidade é ligada a Karina Ferreira da Gama, que também está à frente da Go Up Entertainment. O contrato previa a implantação de pontos de internet Wi-Fi em comunidades, enquanto a apuração busca esclarecer se parte dos recursos teve destinação diferente da prevista.

O caso também envolve o financiamento de “Dark Horse”, que teve gastos declarados de aproximadamente R$ 75 milhões. Entre os valores investigados estão cerca de R$ 61 milhões que teriam sido solicitados por Flávio Bolsonaro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para viabilizar a produção. A Polícia Federal apura ainda a possível utilização irregular de emendas parlamentares relacionadas ao projeto, enquanto os envolvidos negam irregularidades.

A decisão de Flávio Dino amplia o material disponível para a investigação federal, que passa a contar com provas obtidas na operação realizada pela Polícia Civil paulista. As duas apurações têm focos distintos, mas o compartilhamento das informações pode permitir o cruzamento de dados sobre contratos, empresas, recursos e pessoas relacionadas ao filme.

Paralelamente, Flávio Bolsonaro voltou a ser questionado nesta segunda-feira sobre a prestação de contas da produção. O senador havia afirmado em 20 de agosto que o caso era uma “página virada” e que a prestação de contas já havia sido feita. Na nova rodada de questionamentos, entretanto, ele não apresentou publicamente os documentos que comprovariam a origem e a aplicação dos recursos, mantendo o debate em torno do financiamento do filme.

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