A produção artística, intelectual e audiovisual de Mato Grosso ganhou espaço de destaque na 3ª Mostra Etnomídia Indígena, aberta na quinta-feira (20), em Brasília. Realizado na Casa da Cultura da América Latina da Universidade de Brasília (CAL/UnB), o evento adota o formato de feira-festival e tem como tema “Festival de Impressos Indígenas”. A programação segue até 30 de setembro de 2026, com exposição, debates e oficinas gratuitas.
A presença de Mato Grosso está diretamente ligada à concepção da mostra. A coordenação geral é de Naine Terena, comunicadora e curadora originária do Estado. Já a concepção expográfica, batizada de Pa Muga, foi criada pelo artista Libério Uiagumeareu, do povo Boe Bororo, em parceria com Naine Terena e Gustavo Caboco. O projeto foi pensado para reproduzir elementos da organização social, geográfica e cosmológica de uma aldeia Boe Bororo, transformando o espaço da exposição em uma representação da territorialidade indígena.
O audiovisual mato-grossense também ocupa posição central na programação com a participação do Coletivo Ijã Mytyli de Cinema Manoki e Myky. Formado por jovens realizadores indígenas de Mato Grosso, o coletivo utiliza o cinema para preservar memórias, denunciar problemas e defender os territórios originários, combinando conhecimentos tradicionais e novas ferramentas tecnológicas. A mostra ainda reúne trabalhos de artistas e coletivos de outras partes do país.
Entre os participantes estão o artista Isaías Miliano, dos povos Macuxi e Patamona, com telas e esculturas de denúncia política; o painel coletivo Jegua Marangatu, dos artistas Guarani Miguela Moura e Edson Benites; o Coletivo REMBYAPÓ, do Espírito Santo; e o acervo de publicações da Livraria Maracá. A iniciativa foi contemplada pela Seleção Petrobras Cultural por meio da Lei Rouanet e produzida pela Oráculo Comunicação, Educação e Cultura.
A abertura contou, na quinta-feira (20), com um encontro entre os artistas participantes. A partir de sexta-feira (21), o público passou a ter acesso às atividades formativas voltadas ao fortalecimento do mercado de arte e literatura indígena. A primeira oficina, “Comunicação para Vendas e Posicionamento de Produtos Indígenas”, está prevista para ocorrer das 14h às 17h. Para terça-feira (25), estão programadas atividades sobre “Precificação de Obras Indígenas” e “Mercado para Obras Literárias e Artes Indígenas”.
A realização da mostra ocorre em um momento de ampliação da visibilidade nacional da produção cultural indígena. Em outro evento cultural realizado em 2026, o Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica) registrou forte crescimento nas inscrições para sua Mostra de Cinema Indígena e de Povos Tradicionais, que recebeu 185 produções, entre longas, médias e curtas-metragens, aumento de 140,26% em relação à edição anterior.














