Uma declaração da diretora-executiva jurídica da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Luciana Nunes Freire, durante uma audiência pública no Senado, provocou forte repercussão nas redes sociais e reacendeu o debate sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. A fala foi feita na última quarta-feira (1º), durante discussão sobre a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, sem redução salarial.
Ao se posicionar contra a proposta, Luciana afirmou que trabalha na escala 5×2 e questionou como funcionariam serviços essenciais aos fins de semana caso a mudança fosse aprovada. “Eu trabalho cinco por dois e, aos sábados, qualquer mulher que está nesse plenário, que está no centro urbano ou que está numa comunidade, vai ao salão de cabeleireiro. E vai estar fechado aos sábados para nos atender? Aos domingos eu abasteço o supermercado, eu busco comida para minha família, eu compro remédio para minha mãe. Vai estar tudo fechado aos domingos para mim? É certo isso?”, declarou durante a audiência.
A manifestação foi criticada pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), autora da proposta que busca extinguir a escala 6×1. Em publicação nas redes sociais, a parlamentar afirmou que a diretora da Fiesp interpretou de forma equivocada o conteúdo da PEC, destacando que o texto não prevê o fechamento do comércio nem de serviços aos fins de semana, mas apenas reduz a jornada máxima de trabalho e amplia o período de descanso dos trabalhadores.
Durante a audiência pública, representantes do setor produtivo defenderam que a redução da jornada pode elevar custos para as empresas e afetar segmentos que dependem de funcionamento contínuo. Já representantes de trabalhadores argumentaram que a mudança pode melhorar a qualidade de vida e a saúde física e mental dos empregados, desde que as empresas reorganizem suas escalas de trabalho. A PEC 221/2019 segue em tramitação no Congresso Nacional.












