As equipes de resgate entraram neste sábado (27) em um momento considerado decisivo na busca por sobreviventes dos terremotos que devastaram a Venezuela na última quarta-feira (24). O balanço oficial mais recente aponta 1.430 mortos e 3.238 feridos, enquanto milhares de pessoas seguem desaparecidas sob os escombros. Autoridades venezuelanas e a Organização das Nações Unidas (ONU) classificam as próximas horas como fundamentais para localizar vítimas com vida, diante da redução das chances de sobrevivência com o passar do tempo.
Em pronunciamento transmitido pela televisão estatal, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, informou que o país registrou mais de 430 réplicas desde os dois terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5, que ocorreram com apenas 39 segundos de intervalo. Segundo ele, 3.142 famílias foram diretamente afetadas e estão sendo acolhidas em abrigos. Rodríguez classificou a tragédia como “o evento mais trágico que esta República sofreu nos últimos 123 anos”. O governo também informou que mais de 73,7 mil famílias receberam assistência, 7,2 milhões de quilos de alimentos foram distribuídos e mais de 30 mil profissionais, entre militares, médicos, socorristas e psicólogos, atuam nas áreas atingidas.
A presidente em exercício, Delcy Rodríguez, afirmou que a prioridade absoluta continua sendo o resgate de pessoas vivas. Em mensagem divulgada pelo governo, ela agradeceu aos socorristas nacionais e internacionais e declarou: “Temos fé e esperança de que iremos resgatá-los”. O estado de emergência permanece em vigor, com aeroportos, trens e parte do transporte público suspensos. Hospitais improvisados seguem atendendo os feridos, enquanto unidades de saúde que permaneceram abertas operam acima da capacidade.
A ONU estima que cerca de sete milhões de pessoas tenham sido afetadas pela tragédia e informou que este terceiro dia de buscas é considerado crucial para salvar sobreviventes. O secretário-geral-adjunto para Assuntos Humanitários da entidade, Tom Fletcher, afirmou que as equipes trabalham guiadas pelos sons de pessoas presas sob os escombros. Segundo ele, “o pior é quando essas vozes se calam”. Embora o governo venezuelano tenha informado anteriormente 172 desaparecidos, Fletcher declarou que as estimativas já apontam para mais de 50 mil pessoas sem paradeiro conhecido, número semelhante ao registrado por uma plataforma independente criada por familiares.
O esforço internacional de ajuda continua crescendo. Ao menos 21 delegações estrangeiras participam da operação, reunindo 2.242 socorristas, 96 equipes com cães farejadores e centenas de especialistas em resgate. Equipes enviadas por países da Europa, Estados Unidos, Rússia, Ucrânia e nações do Oriente Médio reforçam as buscas nas regiões mais atingidas, principalmente no estado de La Guaira, onde o acesso permanece restrito para facilitar a passagem dos veículos de emergência.
Enquanto as operações seguem contra o tempo, histórias de esperança continuam surgindo em meio à destruição. Um bebê recém-nascido foi retirado com vida dos escombros e entregue à família sob aplausos dos socorristas. Em outra área, familiares permanecem escavando os destroços em busca de Carlos Eduardo, de 31 anos, que ainda chegou a emitir gemidos durante as buscas, mas deixou de responder horas depois. Moradores também denunciam demora na chegada da ajuda e afirmam que muitos continuam removendo escombros com as próprias mãos na tentativa de salvar parentes e vizinhos.
Os terremotos ocorreram na noite de quarta-feira, durante um feriado nacional, quando grande parte da população estava em casa. O primeiro tremor, de magnitude 7,2, teve epicentro próximo à cidade de San Felipe, no estado de Yaracuy. Apenas 39 segundos depois, um segundo abalo, de magnitude 7,5, atingiu a região de Yumare. Os dois terremotos ocorreram a menos de 30 quilômetros de profundidade, característica que potencializou os danos. Os tremores também foram sentidos no Norte do Brasil, nos estados de Roraima, Amazonas, Pará e Amapá, sem registro de vítimas ou grandes estragos.
A atualização mais recente das autoridades mantém o número oficial de mortos em 1.430, mas as equipes de resgate seguem trabalhando ininterruptamente e o balanço pode aumentar nas próximas horas. Organizações internacionais também alertam para as dificuldades logísticas provocadas por estradas bloqueadas, infraestrutura destruída e sucessivas réplicas, fatores que continuam dificultando o acesso às áreas mais afetadas e elevando o desafio das operações de salvamento.












