A Polícia Federal solicitou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorização para investigar a vice-governadora de Pernambuco, Priscila Krause (PSD), em apuração que envolve possíveis irregularidades na destinação de recursos públicos para a saúde. O pedido foi encaminhado ao tribunal em razão do foro por prerrogativa de função da vice-governadora. A investigação tem como foco os repasses feitos à Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, hospital privado localizado em Garanhuns, do qual o empresário Jorge Branco Neto, marido de Priscila Krause, é sócio.

De acordo com documentos obtidos por portais de notícias, durante períodos em que Priscila assumiu interinamente o comando do Executivo estadual, foram assinados decretos liberando recursos ao Fundo Estadual de Saúde. Na sequência, ocorreram transferências diretas para o hospital, incluindo um repasse superior a R$ 3 milhões realizado em um intervalo de apenas 15 dias, em março de 2025. Ainda conforme as informações divulgadas, a unidade de saúde teria recebido mais de R$ 100 milhões nos últimos anos, sendo parte dos recursos proveniente de repasses federais do Sistema Único de Saúde (SUS).
O caso motivou denúncias apresentadas por deputados da oposição na Assembleia Legislativa de Pernambuco e também é alvo de uma auditoria em andamento conduzida pelo DenaSUS. A defesa do hospital e aliados da vice-governadora afirmam que a instituição presta atendimento ao SUS há mais de 50 anos, sustentando que os pagamentos ocorreram de forma regular e que a auditoria faz parte dos procedimentos comuns de fiscalização. Eles também criticam o que classificam como uso político do tema, especialmente em ano eleitoral.
Até o momento, o Superior Tribunal de Justiça ainda não se manifestou sobre o pedido apresentado pela Polícia Federal, e Priscila Krause não foi formalmente indiciada. O episódio ocorre em meio a outras discussões envolvendo contratações e repasses na área da saúde durante a gestão da governadora Raquel Lyra (PSD), da qual Krause é vice. O caso permanece em apuração e poderá ter novos desdobramentos conforme a decisão do STJ e os resultados das auditorias em andamento.












