Empresária apontada como lobista na terceirização das UPAs de Palmas se entrega à polícia

A empresária Cláudia Fernanda Cândido da Silva se apresentou à Justiça na manhã de segunda-feira, 15 de junho de 2026, no Fórum de Palmas, e teve cumprido mandado de prisão preventiva no âmbito da Operação Falsa Emergência, da Polícia Civil do Tocantins.

Ela é investigada por suposta participação em fraudes relacionadas ao contrato de R$ 139 milhões para a terceirização da gestão das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Norte e Sul de Palmas, firmado com a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Itatiba (SP). Após os procedimentos judiciais, incluindo audiência de custódia, Cláudia foi encaminhada à Polícia Civil, submetida a exame no Instituto Médico Legal (IML) e recolhida no Quartel do Comando-Geral da PM, onde permanece à disposição da Justiça.

Contexto da investigaçãoA Polícia Civil e o Ministério Público apontam Cláudia como lobista e articuladora dos interesses da entidade junto ao poder público. Um dos elementos centrais da apuração é a locação, por ela, de um carro de luxo BMW X1 (ano 2025/2026) no valor global de R$ 228.576 (cerca de R$ 9.524 por mês), supostamente entregue ao superintendente de Atenção à Saúde, Andreis Vicente da Costa (preso desde 10 de junho). Os investigadores veem o benefício como possível vantagem indevida, dada a proximidade entre os dois e o timing próximo à assinatura da justificativa de dispensa de licitação.

A secretária municipal de Saúde, Dhieine Caminski, e o superintendente Andreis Vicente da Costa foram presos em 10 de junho na segunda fase da Operação Falsa Emergência. Ambos seguem custodiados. A defesa deles obteve acesso aos autos e ingressou com habeas corpus.

Outros detalhesCláudia Fernanda já responde a outros processos na área da saúde em Palmas, incluindo suspeitas de desvio de cerca de R$ 1 milhão em contratos de testes rápidos de Covid-19 em 2020. A Santa Casa de Misericórdia de Itatiba nega que ela seja sua representante oficial e informou não estar sendo investigada na operação.

A Prefeitura de Palmas, por meio da Procuradoria-Geral do Município, acompanha o caso e aguarda acesso aos autos para se manifestar. A administração afirma que os atendimentos nas UPAs seguem normalmente, sem prejuízo à população.

Situação do contratoAté o momento, o contrato de R$ 139 milhões segue vigente, mesmo sob investigação. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspendeu decisão anterior do TJ-TO que havia determinado a retomada da gestão direta pelas UPAs. A terceirização foi anunciada em março de 2026.

A Operação Falsa Emergência apura indícios de direcionamento da contratação, produção de documentos com datas suspeitas e possível falsidade ideológica no processo administrativo. A investigação continua em andamento.Fontes principais: G1 Tocantins, Polícia Civil do Tocantins, Prefeitura de Palmas e reportagens correlatas publicadas até 16 de junho de 2026.

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