Delação aponta que Juarez Costa recebeu R$ 30 milhões e BMW de empresa de saneamento

Ex-executivos da Aegea afirmam que repasses ocorreram durante gestão do então prefeito de Sinop; deputado não comentou as acusações

O deputado federal Juarez Costa foi citado por ex-dirigentes da empresa de saneamento Aegea em delações premiadas que apontam supostos pagamentos de R$ 30 milhões em propina e a entrega de um veículo BMW durante o período em que comandou a Prefeitura de Sinop. As acusações vieram à tona após a homologação dos acordos de colaboração premiada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

As informações foram reveladas em reportagem publicada pelo portal Metrópoles, com base em depoimentos prestados por cinco ex-executivos da companhia entre 2020 e 2021. Os acordos foram homologados neste ano pelo ministro Raul Araújo.

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Segundo os relatos, os supostos pagamentos teriam ocorrido ao longo de vários anos e estariam relacionados à manutenção de interesses da concessionária durante a gestão municipal de Juarez Costa em Sinop.

O ex-presidente da empresa, Hamilton Amadeo, afirmou aos investigadores que autorizou repasses que, somados, alcançaram R$ 30 milhões. De acordo com a delação, os recursos seriam destinados à quitação de despesas eleitorais do então prefeito.

Além do montante milionário, a colaboração também menciona a aquisição de uma BMW em 2014. Conforme o depoimento, o veículo teria sido comprado a pedido de Juarez Costa.

O ex-diretor financeiro da companhia, Flávio Crivellari, detalhou aos investigadores que o automóvel possuía valor estimado em R$ 330 mil na época da compra.

Ainda segundo os delatores, a negociação teria sido operacionalizada por intermédio de Eduardo Valdívia, citado como responsável por intermediar operações ligadas à empresa.

As acusações não se limitam aos pagamentos. Um dos ex-executivos relatou a existência de um suposto esquema de caixa dois para abastecimento financeiro da campanha do então prefeito. Segundo o depoimento, emissários retiravam dinheiro em espécie na sede da companhia, em São Paulo, enquanto outras entregas teriam ocorrido em Cuiabá e em cidades de Santa Catarina.

Entre os episódios narrados está uma suposta entrega de R$ 1,2 milhão em Balneário Camboriú, valor que, segundo a colaboração, teria sido destinado ao parlamentar mato-grossense.

Outro trecho das delações menciona postos de combustíveis em Sinop. Os ex-dirigentes afirmaram que compras de combustíveis teriam sido simuladas para viabilizar repasses financeiros relacionados a despesas políticas. Os estabelecimentos, segundo os relatos, teriam sido indicados pelo próprio então prefeito.

Juarez Costa também já havia sido alvo da Operação Sorrelfa, deflagrada em 2016 para apurar suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro. Na ocasião, mandados foram cumpridos em Mato Grosso e Santa Catarina.

Procurado pela reportagem do Metrópoles, o deputado não comentou as acusações. A Aegea também não se manifestou especificamente sobre a suposta entrega da BMW, mas afirmou que os fatos relatados pelos delatores pertencem a uma gestão passada e foram objeto dos acordos de colaboração firmados com as autoridades.

As acusações têm origem exclusivamente em delações premiadas e não representam condenação judicial. O caso tramita sob sigilo no STJ e segue em fase de investigação.

Fonte: Infoverus

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