Motoristas que trafegam pela MT-235, em Mato Grosso, especialmente no trecho que corta a Terra Indígena Paresi, pagam uma taxa de passagem cobrada por comunidades indígenas. A prática, que é frequentemente chamada de “pedágio indígena”, voltou a ganhar repercussão após a circulação de vídeos nas redes sociais questionando a legalidade da cobrança.
A origem da taxa remonta a um acordo firmado em 1997, durante o processo de pavimentação da rodovia, quando a passagem pela área indígena foi condicionada a medidas compensatórias e entendimentos com órgãos federais. Desde então, a cobrança passou a ser aplicada como uma forma de compensação pelo uso do trecho que atravessa o território indígena.
O valor cobrado varia de acordo com o tipo de veículo e o fluxo da rodovia, que é uma das principais rotas de escoamento da produção agrícola do estado. Caminhões e carretas, por exemplo, pagam valores mais altos, enquanto veículos menores têm tarifas reduzidas. A arrecadação é administrada por associações indígenas da etnia Paresi, que atuam nos pontos de passagem.
Segundo lideranças locais, os recursos obtidos são utilizados para manutenção das comunidades, incluindo investimentos em saúde, educação e infraestrutura nas aldeias. A prática, embora contestada por parte dos motoristas, está vinculada a um histórico de negociações envolvendo a abertura e pavimentação da estrada dentro do território indígena.
O tema segue gerando debate por ocorrer em uma rodovia estadual de livre circulação, com críticas de motoristas e questionamentos sobre o modelo adotado. Por outro lado, defensores da cobrança afirmam que se trata de um direito de passagem estabelecido em acordos antigos e mantido como forma de garantir benefícios às comunidades indígenas afetadas pela rodovia.













