El Niño ganha força e aumenta riscos para a economia brasileira

A informação é real. O artigo publicado pela GZH nesta quinta-feira (13), assinado pelo ecólogo, doutor em Ciências e professor da Furg Marcelo Dutra da Silva, analisa os impactos econômicos do El Niño sobre a produção, os preços e a infraestrutura. O texto é um artigo de opinião, portanto, as avaliações apresentadas refletem a interpretação do autor, mas estão alinhadas ao monitoramento oficial que confirma a presença do fenômeno em 2026.

Segundo o artigo, o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial altera a circulação atmosférica e modifica os regimes de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta. Os efeitos podem atingir commodities como milho, trigo, arroz, café, açúcar, cacau, frutas e cítricos, além do leite e da pesca. Quando uma grande região produtora perde produtividade, a redução da oferta pode afetar o comércio internacional e pressionar os preços dos alimentos.

No Brasil, os impactos variam conforme a região. O Sul tende a receber mais chuva, enquanto Norte e Nordeste podem enfrentar maior risco de estiagem e incêndios. Para a agricultura, tanto o excesso quanto a falta de água representam problemas, com possibilidade de encharcamento do solo, doenças, dificuldades de manejo e colheita ou redução da disponibilidade hídrica. O cenário tem importância especial para o país por causa do peso do agronegócio nas exportações e no abastecimento interno.

No Rio Grande do Sul, o autor destaca que os riscos se somam aos prejuízos acumulados por eventos extremos recentes. As enchentes de 2024 destruíram áreas produtivas, estradas, pontes e estruturas urbanas, enquanto novos episódios severos continuam afetando a infraestrutura. O artigo cita como exemplo um ciclone que, na semana anterior, derrubou 26 torres de transmissão no extremo sul do Estado e deixou Santa Vitória do Palmar e Chuí sem energia.

A atualização dos órgãos oficiais reforça a preocupação. O INMET informa que as condições de El Niño já estão presentes e que o fenômeno deve persistir até o final do verão austral de 2026/2027. O monitoramento mais recente da NOAA, atualizado em 10 de agosto, também aponta continuidade do fenômeno e indica 81% de probabilidade de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro de 2026.

No Brasil, o painel conjunto de INPE, INMET, ANA, Cemaden, Serviço Geológico do Brasil e Defesa Civil já havia apontado, em junho, probabilidade superior a 90% de permanência do fenômeno até pelo menos o início de 2027 e alta possibilidade de um episódio muito forte entre a primavera e o verão. O boletim também prevê impactos diferentes entre as regiões, incluindo chuvas acima da média no Sul e abaixo da média no centro-norte do país.

Diante desse cenário, o El Niño deixa de ser apenas uma questão meteorológica e passa a representar também um fator de risco para agricultura, alimentos, energia, logística e infraestrutura. A avaliação apresentada pela GZH defende que governos, empresas e produtores incorporem os eventos climáticos extremos ao planejamento econômico, justamente para reduzir a necessidade de reconstrução e os prejuízos quando os impactos ocorrerem.

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