Calor extremo amplia alerta para AVC e doenças cardiovasculares em MT

Mato Grosso registrou 4.635 mortes por doenças cardiovasculares em 2025, incluindo 2.450 óbitos por infarto, 1.360 por acidente vascular cerebral (AVC) e 825 por insuficiência cardíaca. Os dados são do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, atualizados em abril de 2026. O número chama atenção em um período de calor intenso e baixa umidade no estado, condições que podem aumentar a vulnerabilidade do organismo.

Segundo a médica emergencista Ohara Sanches, o calor extremo, a desidratação e o esgotamento físico podem representar riscos adicionais para a saúde. Ela ressalta que pessoas expostas a temperaturas elevadas devem manter a hidratação e ficar atentas aos sinais apresentados pelo corpo. Para a médica, a demora na busca por atendimento é um dos principais fatores associados à morte e às sequelas provocadas pelo AVC.

Entre os sinais de alerta estão boca torta, perda de força em um dos lados do corpo e dificuldade para falar. A orientação é procurar atendimento hospitalar imediatamente, mesmo quando os sintomas desaparecem espontaneamente. A médica explica que o AVC precisa ser considerado rapidamente durante a avaliação de emergência, já que o tempo entre o início dos sintomas e o atendimento pode influenciar diretamente o resultado do tratamento.

O risco não está relacionado apenas ao calor. De acordo com a especialista, o descontrole de doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e colesterol elevado, além do tabagismo e do sedentarismo, está entre os principais fatores associados ao AVC. Em Mato Grosso, o clima quente e seco acrescenta uma preocupação, especialmente para pessoas que trabalham ou permanecem por longos períodos expostas ao calor.

Outro ponto destacado é o esgotamento provocado pela rotina de trabalho. A médica diferencia o cansaço comum da síndrome de burnout e alerta que a exposição prolongada ao estresse pode manter o organismo em estado de alerta e contribuir para alterações da pressão arterial. O cuidado com a saúde mental, nesse contexto, também é apresentado como parte das medidas de prevenção de problemas cardiovasculares.

O Ministério da Saúde também reconhece que o calor extremo representa um problema de saúde pública. Material oficial publicado em 2026 reúne evidências sobre os impactos das mudanças climáticas e das ondas de calor sobre a população, reforçando a necessidade de medidas de prevenção e proteção durante episódios de temperaturas elevadas.

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