A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou nesta quarta-feira (27 de maio de 2026) a Operação Máxima Proteção, com o cumprimento de três mandados de busca e apreensão em Juína (MT), Sinop (MT) e Cacoal (RO). A ação mira um grupo investigado pela produção, armazenamento e comercialização de conteúdos pornográficos criados com manipulação digital (deepfakes) de imagens de adolescentes.
A investigação, conduzida pela Delegacia de Polícia de Juína, teve início após a identificação de quatro adolescentes de uma escola particular do município como suspeitos. Com o avanço das apurações, a participação de maiores de idade foi confirmada, ampliando o escopo do inquérito. Até o momento, cerca de 30 vítimas foram identificadas, a maioria adolescentes de duas escolas particulares de Juína e do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT).
Os suspeitos utilizavam ferramentas de inteligência artificial para criar imagens e vídeos super-realistas de conteúdo sexual com os rostos das vítimas. Os materiais eram armazenados em dispositivos e serviços de nuvem, compartilhados e comercializados. Dois adolescentes de 15 anos teriam explorado economicamente os conteúdos, cobrando de R$ 30 por foto a até R$ 120 por vídeo.
Os investigados criavam perfis falsos femininos em redes sociais, principalmente no Facebook, para divulgar o material, atrair compradores e passar credibilidade. As apurações revelaram movimentações financeiras compatíveis com a atividade ilícita e compradores em vários estados, como Minas Gerais, Pará, Rondônia, Tocantins e Bahia, configurando crime interestadual.
Em Rondônia, um homem de 20 anos foi alvo de busca e apreensão, com apoio da Polícia Civil local. Os envolvidos podem responder pelo artigo 241-C do Estatuto da Criança e do Adolescente (produção, reprodução ou divulgação de cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente), além de outros delitos.
O delegado Jean Andrade Araújo destacou a gravidade do caso: “A Operação Máxima Proteção reforça o compromisso da Polícia Civil com a proteção integral de crianças e adolescentes e destaca a importância da conscientização sobre os riscos e consequências do uso criminoso de ferramentas de manipulação digital.”











