Bolsa Família impulsiona Brasil ao maior IDH da história

O Brasil alcançou pela primeira vez o patamar de desenvolvimento humano muito alto, segundo dados divulgados nesta terça-feira (26) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) brasileiro saltou de 0,744, registrado em 2012, para 0,805 em 2024, marcando o melhor resultado da história do país. Entre os fatores apontados para esse avanço, o Bolsa Família aparece como peça fundamental, principalmente na área da educação.

De acordo com o relatório, o componente educacional foi o que apresentou maior crescimento no período analisado. O índice de educação passou de 0,679 em 2012 para 0,798 em 2024, deixando de ser o pior indicador nacional e se tornando o segundo melhor desempenho entre os critérios avaliados. Para a economista Betina Barbosa, coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do PNUD no Brasil, esse avanço está diretamente ligado às políticas públicas implantadas nas últimas décadas.

Segundo Barbosa, uma das principais contribuições do Bolsa Família está nas exigências relacionadas à permanência escolar. Atualmente, famílias beneficiárias precisam manter crianças de 4 a 6 anos com frequência mínima de 60%, enquanto estudantes entre 6 e 18 anos incompletos devem atingir pelo menos 75% de presença nas aulas para continuar recebendo o benefício. A especialista afirmou que os maiores avanços educacionais ocorreram justamente entre as parcelas mais pobres da população.

A economista destacou ainda que o programa ajuda a afastar crianças e adolescentes do trabalho precoce, garantindo melhores condições de acesso à educação. “É o programa Bolsa Família que retira uma quantidade enorme de crianças do mundo do trabalho e dá a elas a condição da escola”, afirmou durante a apresentação dos dados do PNUD.

O tema ganhou repercussão nacional após declarações do apresentador Luciano Huck, que recentemente criticou o programa social ao afirmar que ele não gera estímulos para que famílias deixem a política de transferência de renda. As falas provocaram forte reação nas redes sociais, onde internautas defenderam o impacto econômico e social do benefício, destacando sua influência no combate à pobreza, na permanência escolar e no fortalecimento da economia local.

Criado em 2003, durante o primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o Bolsa Família se consolidou como o principal programa de transferência de renda do país. Em 2023, o programa voltou ao formato original após reformulações e passou a atender, em média, mais de 21 milhões de famílias brasileiras, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.

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