Uma manifestação realizada no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, colocou novamente no centro do debate nacional a polêmica em torno da escala de trabalho 6×1. O protesto ocorreu no dia 20 de maio de 2026 e reuniu trabalhadores de serviços auxiliares do transporte aéreo, limpeza urbana, asseio e conservação, que pediram mudanças nas jornadas consideradas exaustivas.
Com faixas, cartazes e palavras de ordem, os manifestantes percorreram áreas do terminal gritando “Fim da 6×1”. Apesar da mobilização, a administração do aeroporto informou que as operações seguiram normalmente, sem impacto significativo nos voos. O ato contou com apoio de entidades sindicais como o Sinteata, Femaco, Fenascon e Siemaco-SP.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Prestadoras de Serviços Auxiliares de Transporte Aéreo do Estado de São Paulo, Cristiano Rodrigo, afirmou que a luta vai além de reivindicações salariais. Segundo ele, a discussão envolve saúde física, saúde mental, convivência familiar e qualidade de vida dos trabalhadores que atuam em setores essenciais e operam em jornadas contínuas.
A escala 6×1, modelo em que o trabalhador atua durante seis dias consecutivos para folgar apenas um, é amplamente utilizada em áreas como aeroportos, segurança, logística, comércio e serviços. Empresas argumentam que esse sistema é necessário para manter operações funcionando 24 horas por dia, especialmente em setores que não podem interromper atividades.
Por outro lado, sindicatos e especialistas em saúde ocupacional alertam para os efeitos negativos da jornada prolongada. Entre os principais problemas apontados estão desgaste físico, aumento do estresse, fadiga acumulada, dificuldade de convivência familiar e crescimento do risco de acidentes de trabalho. A discussão ganhou ainda mais força após a Reforma Trabalhista de 2017, que ampliou possibilidades de flexibilização das jornadas.
O tema voltou com intensidade ao debate político em 2026 devido a projetos em tramitação no Congresso Nacional que propõem limitar ou restringir a escala 6×1 em determinados setores. O assunto já provoca tensão entre centrais sindicais, empresários e representantes do governo federal, especialmente em um ano pré-eleitoral marcado por discussões sobre direitos trabalhistas e crescimento econômico.
Durante o protesto em Guarulhos, trabalhadores também defenderam a aprovação do Projeto de Lei 4.146/2020, que regulamenta profissões ligadas à limpeza urbana e prevê melhorias salariais, redução de jornada e direitos específicos para a categoria.












