O Brasil pode assumir um papel de protagonismo entre os mercados emergentes no próximo ciclo econômico global. A avaliação é de Augusto Urmeneta, presidente do Bank of America para a América Latina, que afirmou ao Brazil Journal que o País vive seu melhor momento para atrair investimentos desde o início da década passada.
Segundo o executivo, o atual cenário geopolítico favorece a América Latina, especialmente diante da aproximação dos Estados Unidos com a região. Dentro desse contexto, o Brasil aparece como o principal mercado consumidor de escala da América Latina, combinando força do mercado interno e perfil empreendedor. “Acredito que é um dos melhores momentos do Brasil desde 2011”, afirmou Urmeneta. Para ele, o País pode se tornar “o principal mercado emergente, excluindo a China, nessa próxima fase”.
O executivo destacou ainda que há uma grande quantidade de capital disponível no mercado global. Segundo dados do BofA, existem cerca de US$ 8 trilhões parados em fundos de mercado monetário nos Estados Unidos e outros US$ 3 trilhões em dry powder de private equity. Além disso, os fluxos para mercados emergentes fora da China chegaram a US$ 96 bilhões, praticamente o dobro do registrado em todo o ano anterior. Apesar disso, apenas uma pequena parcela desse dinheiro estaria chegando às empresas brasileiras e latino-americanas.
Urmeneta também comentou que o fluxo estrangeiro para o Brasil ainda é visto mais como um movimento tático, impulsionado pelos juros elevados, mas que pode se tornar estrutural com uma queda mais significativa da Selic. Atualmente, a taxa básica brasileira está em 14,5%, apontada por ele como um dos principais obstáculos para uma expansão mais forte dos investimentos. “Quando os juros começarem a cair de forma mais relevante, os fluxos locais também devem voltar”, disse.
Mesmo com o otimismo internacional, o executivo acredita que o investidor brasileiro segue excessivamente pessimista em relação ao próprio País. “O investidor local é muito mais negativo sobre o Brasil do que o investidor estrangeiro”, afirmou. Ele também ressaltou que, apesar das dificuldades econômicas, o Brasil continua sendo um ambiente de forte empreendedorismo, com empresas buscando crescimento e capital mesmo em um cenário de juros elevados.
Durante o evento Latin America Private Tech Trailblazers Summit, realizado pelo banco em Nova York, Urmeneta ainda comentou sobre o setor de tecnologia na América Latina. Segundo ele, as empresas da região acumulam queda de 17% desde janeiro, mesmo apresentando crescimento de receita e lucro superior ao de muitos concorrentes globais. O executivo afirmou que o capital internacional hoje está concentrado nos Estados Unidos, especialmente por causa da inteligência artificial, mas acredita que o cenário pode mudar conforme os investidores voltem a buscar oportunidades em mercados emergentes.












