A cinebiografia “Dark Horse”, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro estrelada pelo ator Jim Caviezel, passou a ser alvo de questionamentos envolvendo o uso indireto de recursos públicos por entidades ligadas à estrutura da produtora responsável pelo longa. Embora os produtores afirmem que o filme é financiado exclusivamente com capital privado, reportagens divulgadas nos últimos dias apontam conexões entre a rede de empresas e organizações envolvidas no projeto e contratos milionários com verbas públicas.
O principal ponto levantado pelas investigações envolve um contrato de R$ 108 milhões firmado pela Prefeitura de São Paulo, durante a gestão do prefeito Ricardo Nunes, com o Instituto Conhecer Brasil. A entidade é presidida por Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora Go Up Entertainment. Segundo a prefeitura e o instituto, o contrato tem como objetivo exclusivo a instalação de redes de Wi-Fi em comunidades e não possui qualquer ligação com a produção cinematográfica.
Além disso, reportagens apontam que cerca de R$ 2 milhões em emendas parlamentares destinadas pelo deputado Mário Frias, que também atua como roteirista e produtor executivo do filme, foram enviados ao mesmo Instituto Conhecer Brasil para projetos de letramento digital e incentivo ao esporte. Outras emendas parlamentares de integrantes do PL, incluindo Bia Kicis e Marcos Pollon, também teriam beneficiado entidades ligadas ao mesmo grupo, como a Academia Nacional de Cultura.
O volume total de recursos públicos relacionados às entidades ligadas à rede da produtora gira em torno de R$ 110 milhões a R$ 111 milhões, segundo reportagens publicadas por diferentes veículos nacionais. As informações levaram o ministro Flávio Dino a abrir, no último dia 15 de maio, uma apuração preliminar sigilosa no Supremo Tribunal Federal para investigar possíveis irregularidades no destino das emendas parlamentares.
Segundo informações divulgadas, o STF tenta há mais de um mês intimar Mário Frias para prestar esclarecimentos, mas ainda não obteve sucesso. Também foram intimados Bia Kicis e Marcos Pollon. A investigação foi aberta após representações apresentadas por parlamentares da oposição, entre eles a deputada Tabata Amaral.
Em nota pública, Mário Frias e a Go Up Entertainment negaram de forma enfática o uso de qualquer recurso público na produção de “Dark Horse”. O deputado afirma que o longa foi financiado exclusivamente com capital privado e que todo o dinheiro captado foi utilizado apenas na produção cinematográfica. Frias também recuou parcialmente de declarações anteriores envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, admitindo apenas uma relação indireta por meio de outra empresa, mas negando qualquer irregularidade.
A Prefeitura de São Paulo reforçou que o contrato firmado com o Instituto Conhecer Brasil ocorreu por meio de chamamento público regular e tem finalidade específica ligada à inclusão digital em comunidades carentes. Apesar disso, o caso ampliou o debate sobre a destinação de emendas parlamentares e o uso de estruturas associadas a projetos políticos e culturais de parlamentares.
O episódio ocorre em meio ao avanço de investigações paralelas relacionadas ao Banco Master e à Operação Compliance Zero, embora ainda não exista comprovação de desvio direto de recursos públicos para o filme. O caso segue em apuração no STF e novos desdobramentos podem ocorrer nos próximos dias com eventuais decisões judiciais, pedidos de quebra de sigilo ou aprofundamento das investigações pela Polícia Federal.












