Um ex-chefe de regulação do Banco Central está no centro de novas revelações envolvendo o chamado caso Banco Master. De acordo com dados enviados à Receita Federal e analisados por uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado, uma empresa ligada ao ex-servidor recebeu R$ 3 milhões da instituição financeira no ano de 2025.
Segundo as informações, o valor foi repassado pelo Banco Master à empresa JGM Solutions, pertencente a João André Calvino Marques Pereira. A consultoria foi aberta em fevereiro de 2025, pouco tempo após o ex-dirigente deixar o Banco Central, onde ocupou um cargo estratégico na área de regulação do sistema financeiro entre 2018 e 2023.
Durante sua passagem pelo órgão, Calvino participou de processos relevantes, incluindo análises relacionadas à aquisição do Banco Máxima, operação que deu origem à estrutura atual do Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro. A proximidade temporal entre a saída do cargo público e a abertura da empresa passou a ser observada dentro do contexto das investigações.
Antes de deixar o Banco Central, o ex-chefe de regulação chegou a consultar a Comissão de Ética Pública sobre possíveis conflitos de interesse e regras de quarentena para atuação na iniciativa privada. Após isso, formalizou a criação da consultoria, que tinha capital social relativamente baixo, mas recebeu o repasse milionário no ano seguinte.
O caso integra um cenário mais amplo de apurações envolvendo o Banco Master, que já está no centro de investigações sobre pagamentos a autoridades e suposta tentativa de ampliar influência política. Os dados levantados pela Receita Federal e analisados pela CPI devem orientar os próximos passos das investigações, que seguem em andamento.












