Moradores de Município gaucho defendem ex-padre condenado por estupro

Moradores de Riozinho (RS) elaboraram um abaixo-assinado para defender o ex-padre Alceu Zarino Marino, 67 anos, condenado a 14 anos de prisão por estuprar um coroinha que atuava como auxiliar da Paróquia Nossa Senhora do Rosário. O documento, intitulado “Atestado e Comprovação de Idoneidade”, passou a circular poucos dias após a prisão do ex-sacerdote, ocorrida em 5 de junho, na localidade de Barra do Ouro, em Maquiné.

O texto descreve Marino como um homem de “humanidade, humildade e respeito” e afirma que ele teria cumprido “admiravelmente sua missão religiosa” ao longo dos 32 anos à frente da paróquia. Alguns trechos chegam a compará-lo a Jesus Cristo, tratando-o como exemplo de fé e reverência. O documento contém nomes, RGs e CPFs de moradores que atestam a suposta idoneidade do ex-religioso, em contraste com a sentença judicial.

Segundo o processo, Marino abusou da vítima entre 2013 e 2019, quando o jovem era adolescente. Os crimes teriam ocorrido em dependências paroquiais e durante viagens pastorais, sempre aproveitando-se da autoridade sacerdotal para exercer controle psicológico e assegurar o silêncio da vítima. A denúncia foi registrada em 2020, quando o rapaz, já maior de idade, procurou a Polícia Civil. Depoimentos dos pais, da psicóloga, laudos periciais e mensagens de celular embasaram a condenação.

O Ministério Público denunciou o ex-padre por estupro de vulnerável e outros atos libidinosos, com reconhecimento de continuidade delitiva e agravante por autoridade religiosa. A captura de Marino foi realizada por uma ação conjunta das delegacias de Nova Petrópolis, Riozinho e Maquiné, coordenada pelo delegado Fábio Idalgo Peres.

A circulação do abaixo-assinado provocou forte reação na cidade e nas redes sociais. Moradores de Riozinho e municípios vizinhos classificaram a iniciativa como “vergonhosa” e “um insulto às vítimas de abuso”, destacando que manifestações desse tipo contribuem para o silêncio e o medo que cercam casos de violência sexual — especialmente quando o agressor ocupa posição de poder ou liderança espiritual.

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