90% de canais com discurso misógino seguem ativos no YouTube

Um estudo realizado pelo NetLab da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) aponta que cerca de 90% dos canais identificados com conteúdo misógino no YouTube continuam ativos na plataforma. O levantamento analisou dados coletados inicialmente em 2024 e atualizados em 2026, revelando que a maioria das contas que divulgam mensagens de ódio ou desprezo contra mulheres permanece em funcionamento.

Segundo a pesquisa, dos 137 canais identificados anteriormente com esse tipo de conteúdo, 123 continuam disponíveis ao público. Além disso, os pesquisadores observaram crescimento na audiência dessas páginas, com aumento de aproximadamente 18,5% no número de inscritos. Somados, esses canais reúnem mais de 23 milhões de seguidores na plataforma de vídeos.

O estudo também aponta que parte dos criadores de conteúdo modificou estratégias para permanecer ativo. Pelo menos 20 canais alteraram o nome ou deixaram de usar termos diretamente associados à chamada “machosfera”, tentativa que pode dificultar a identificação por sistemas de moderação. A produção de conteúdo também cresceu: em 2026 foram contabilizados cerca de 25 mil vídeos a mais em comparação com o levantamento anterior, totalizando aproximadamente 130 mil publicações desse tipo.

A pesquisa analisou mais de 76 mil vídeos utilizando ferramentas de inteligência artificial e métodos qualitativos para identificar discursos de ódio e estratégias de monetização. O relatório, realizado em parceria com o Ministério das Mulheres, também investigou como esses canais geram receita, seja por anúncios, doações ou programas de membros. Por questões de segurança das pesquisadoras e para evitar ampliar a divulgação desses conteúdos, a lista completa dos canais mapeados não foi divulgada.

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