Documentos adicionais divulgados recentemente pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos trouxeram novos detalhes sobre o caso envolvendo o financista Jeffrey Epstein. Entre os arquivos tornados públicos estão resumos de entrevistas realizadas pelo FBI em 2019 com uma mulher que afirma ter sido abusada sexualmente por Epstein a partir dos 13 anos, na década de 1980, na região de Hilton Head, na Carolina do Sul. Os registros fazem parte de uma nova leva de documentos liberados após revisão interna do governo americano.
Nos depoimentos, a mulher relatou que Epstein a teria apresentado ao então empresário Donald Trump quando ela tinha entre 13 e 15 anos. Segundo o relato, o encontro teria ocorrido em Nova York ou em Nova Jersey. A denunciante afirmou que Trump tentou forçá-la a realizar sexo oral e que, durante o episódio, ela o teria mordido, sendo em seguida agredida fisicamente. Os documentos também registram que Trump teria feito um comentário sobre “ensinar como as meninas devem ser” antes do suposto incidente.
As entrevistas foram incluídas em memorandos conhecidos como formulários 302 do FBI, que registram declarações de testemunhas, mas não significam comprovação dos fatos narrados. As alegações permanecem sem corroboração e não resultaram em acusações criminais formais. Autoridades americanas ressaltam que a presença desses relatos nos arquivos não constitui prova de irregularidade.
Os documentos vieram a público após uma investigação jornalística identificar que algumas páginas relacionadas a Trump haviam sido inicialmente retidas por engano, classificadas como duplicatas durante o processo de revisão. Após nova análise, o Departamento de Justiça reconheceu o erro e liberou os registros adicionais.
Donald Trump negou repetidamente qualquer envolvimento em irregularidades relacionadas a Epstein. A Casa Branca classificou as acusações como falsas e sem credibilidade, afirmando que o presidente foi “totalmente exonerado” em relação ao caso. Mesmo assim, parlamentares do Partido Democrata pediram novas investigações e depoimentos para esclarecer a relação passada entre Trump e Epstein, embora até o momento não haja indicação de ações criminais decorrentes dessas revelações.
As novas revelações voltaram a provocar debate na imprensa e entre especialistas nos Estados Unidos, principalmente sobre a necessidade de verificação independente das alegações e sobre a transparência na divulgação completa dos arquivos do caso Epstein.











