Pesquisadores que analisaram dados inéditos sobre a Floresta Amazônica alertam para um risco ambiental considerado silencioso, mas potencialmente grave, para o equilíbrio climático do bioma. A pesquisa, publicada na revista Frontiers in Forests and Global Change, mostrou que uma pequena fração de árvores maiores concentra a maior parte do carbono armazenado na floresta, o que pode comprometer a função climática da região se essas árvores forem derrubadas.
Segundo o estudo, as árvores com diâmetro de tronco acima de 40,6 centímetros acumulam entre 88 % e 93 % de todo o carbono estocado na vegetação, tanto acima quanto abaixo do solo, enquanto árvores menores detêm uma parcela muito menor desse total. A maior parte desse carbono está vinculada a árvores maduras e de grande porte, que também desempenham papéis essenciais na manutenção da biodiversidade e dos microclimas da floresta.
O alerta dos pesquisadores vem justamente porque muitas legislações florestais permitem a exploração madeireira seletiva de árvores com diâmetros a partir de 41 centímetros, justamente as que mais contribuem para o armazenamento de carbono. Quando essas árvores são removidas, grande parte do carbono acumulado é liberado de volta para a atmosfera, enfraquecendo a capacidade da Amazônia de agir como um sumidouro de carbono e agravando a crise climática.
Especialistas defendem revisão das políticas de manejo florestal para dar prioridade à proteção dessas árvores gigantes como uma ferramenta importante na luta contra o aquecimento global. Eles argumentam que, sem essa mudança, os esforços para reduzir as emissões poderão ser prejudicados, pois as florestas perderiam parte de sua capacidade de reter carbono em longo prazo.
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