O Governo de Mato Grosso suspendeu temporariamente os descontos em folha de pagamento de cartões de crédito e benefícios vinculados ao Banco Master e a outras dez instituições financeiras, após denúncias de falsificação de contratos e irregularidades no sistema de consignações.
A medida preventiva, anunciada pela Secretaria de Planejamento e Gestão, tem duração inicial de até 120 dias, enquanto o governo apura inconsistências nos contratos, protege os direitos dos servidores e garante transparência nas operações. A Polícia Federal também investiga supostas fraudes envolvendo o dono do banco e parentes, com bloqueio de bens e apreensão de valores.
Operação Compliance Zero
Nesta quarta-feira, a Polícia Federal cumpriu a segunda fase da operação sobre um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master que incluiu buscas em endereços ligados a Daniel Vorcaro, dono do banco, e parentes dele, incluindo o pai, a irmã e o cunhado dele.
O empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora de fundos Reag Investimentos, também estavam entre os alvos. A investigação detectou que havia captação de dinheiro, aplicação em fundos e desvio para o patrimônio pessoal de Vorcaro e parentes. O celular do dono do Master foi apreendido.
Nesta fase, a PF apreendeu bens como carros, relógios de luxo e outros itens de valor em endereços ligados a envolvidos em suspeitas de fraudes financeiras no Banco Master.
Na decisão expedida pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram determinados 42 mandados de buscas, além do sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões, segundo a PF.
Durante o cumprimento dos mandados, os agentes federais encontraram também dinheiro em espécie. Até a última atualização desta reportagem, R$ 97,3 mil em dinheiro vivo tinham sido contabilizados.
Irregularidades
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O Banco Master também está entre as instituições financeiras que forneciam crédito consignado de forma irregular aos servidores de Mato Grosso, conforme investigado pelo Tribunal de Contas do estado (TCE-MT) e denunciado pelo Sindicato dos Profissionais da Área Instrumental do Governo (Sinpaig).
O total descontado pelo Banco Master em crédito consignado aos servidores do estado, em 2025, chega a mais de R$ 37 milhões, de acordo com Sinpaig. Desde 2024, contudo, o banco passou a alavancar esse tipo de modalidade de crédito em diferentes estados e municípios do país.
Essa liberação de crédito consignado faz parte do caso em que mais de 70% dos servidores estaduais ficaram superendividados com essa modalidade de empréstimo com até 15 instituições financeiras, o que entrou no radar do TCE-MT.
Com G1 MT












