Brasil descobre o maior reservatório de água doce do mundo abaixo da Amazônia

Sistema Aquífero Grande Amazônia redefine dimensão das reservas de água doce no país

O Sistema Aquífero Grande Amazônia, conhecido como SAGA, tem chamado atenção por ser uma imensa reserva subterrânea de água doce localizada sob a região amazônica. Com volume estimado em 162 mil km³, o aquífero é considerado o maior do mundo, superando com folga o Aquífero Guarani e despertando interesse pela escala do recurso e pela sua relação direta com o equilíbrio ambiental da Amazônia.

A formação do SAGA foi estudada por pesquisadores da Universidade Federal do Pará, entre eles o geólogo Francisco de Assis Matos de Abreu, que participou da atualização da delimitação do aquífero. A reserva antes era conhecida como Aquífero Alter do Chão, restrita à região de Santarém. Com novos levantamentos, seu limite foi ampliado para boa parte do território amazônico e recebeu a denominação atual, que corresponde a uma estrutura geológica extensa e tabular, formada por camadas com capacidade de armazenar e liberar água.

Essas camadas funcionam como uma grande esponja natural, composta por minerais e espaços vazios que armazenam a água proveniente principalmente da infiltração das chuvas ao longo de milhões de anos. Segundo os estudos, a reserva se encontra entre 120 e 170 metros de profundidade e já abastece cidades como Manaus, Santarém e Parintins por meio de poços artesianos.

A importância do SAGA está diretamente ligada ao ciclo hidrológico da Amazônia. Aproximadamente 84% da água desse ciclo está no subsolo, enquanto os rios e lagos representam 8% e os outros 8% correspondem à umidade atmosférica. O aquífero também participa do processo que forma os chamados rios voadores, que transportam enormes volumes de umidade em direção ao Centro-Sul do Brasil, influenciando regimes de chuva e sustentando a produção agrícola.

O abastecimento contínuo dos rios amazônicos também depende dessa reserva. Mesmo em períodos de estiagem, a água infiltrada no aquífero é liberada de forma gradual, garantindo fluxo perene durante o ano. Para os pesquisadores, esse sistema é um dos pilares da estabilidade hídrica e climática da região.

O potencial de uso da água do SAGA inclui irrigação, apoio ao agronegócio e atividades pecuárias, desde que o manejo seja planejado. A abundância do recurso não elimina a necessidade de preservação da floresta, essencial para manter a recarga hídrica, nem dispensa cuidados para evitar exploração desordenada, problema já enfrentado por outros aquíferos.

A descoberta e a caracterização do SAGA reforçam o papel estratégico da Amazônia não apenas como bioma, mas também como uma das maiores reservas de água doce do planeta, cujo equilíbrio depende diretamente da conservação ambiental e do uso sustentável dos recursos subterrâneos.

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