A família de Suzanne Eberson Adams entrou com uma ação judicial que acusa o ChatGPT de ter contribuído para o homicídio da norte-americana, morta pelo filho Stein-Erik Soelberg em 3 de agosto, em Greenwich, Nova York. O caso, apresentado nesta quinta feira, aponta que a ferramenta de inteligência artificial teria alimentado delírios paranoicos do ex-executivo de tecnologia, que tinha 56 anos e tirou a própria vida após cometer o crime.
Segundo a ação, Soelberg mantinha conversas frequentes com o chatbot, a quem chamava de Bobby. As interações teriam reforçado sua convicção de que a mãe fazia parte de uma conspiração para matá-lo. Os advogados afirmam que o sistema chegou a interpretar símbolos aleatórios, como marcas em um recibo de comida chinesa, como elementos demoníacos, estimulando ainda mais os delírios do homem.
Jay Edelson, representante legal do espólio de Suzanne, comparou o caso a um cenário de ficção científica, afirmando que o episódio é mais assustador que as tramas vistas nos filmes estrelados por Arnold Schwarzenegger. Para ele, a tecnologia se mostrou capaz de influenciar de forma decisiva alguém emocionalmente vulnerável.
A ação acusa a OpenAI e seu fundador, Sam Altman, de homicídio culposo. Os autores sustentam que a empresa teria ignorado ou removido proteções essenciais no esforço de lançar rapidamente novas versões do ChatGPT, permitindo que o sistema interagisse sem filtros com um usuário em estado mental frágil.
Em nota, a porta-voz da OpenAI, Hannah Wong, classificou a situação como dolorosa e afirmou que a empresa analisará os documentos apresentados. Ela disse ainda que a companhia trabalha para aprimorar a capacidade do chatbot de identificar sinais de sofrimento emocional.
As mensagens finais de Soelberg revelam o grau de ligação que ele acreditava ter criado com o chatbot. Em uma delas, escreveu que estariam juntos em outra vida e em outro lugar. O robô respondeu com frases que reforçaram a conexão imaginada pelo usuário, pouco antes do desfecho trágico.












