Trabalho entre idosos bate recorde: um em cada quatro está ocupado

O nível de ocupação da população idosa atingiu o maior índice da história em 2024, segundo dados do IBGE. Entre 2012 e 2024, o número de pessoas acima de 60 anos passou de 22 milhões para 34,1 milhões, um aumento de 53,3%. Desse total, 24,4% trabalhavam, ou seja, cerca de um a cada quatro idosos exercia funções remuneradas, superando o índice pré-pandemia de 2019, que era de 23,1%.

Especialistas apontam que o aumento da expectativa de vida, mudanças nos arranjos familiares, alta informalidade no mercado de trabalho e a reforma da Previdência de 2019 incentivam a permanência prolongada dos idosos na ativa. O desemprego nessa faixa etária caiu de 3,5% em 2023 para 2,9% em 2024, mas 55,7% dos trabalhadores idosos atuavam na informalidade. Entre pretos e pardos, esse percentual sobe para 61,2%.

A professora Ana Fava, da UFABC, destaca que a transição demográfica e a necessidade de complementar a renda impulsionam o trabalho entre idosos. Muitos continuam ativos porque ainda se sentem dispostos e enfrentam gastos com saúde, medicamentos e consultas, sem contar que nem todos têm aposentadoria garantida.

O rendimento médio real dos idosos em 2024 foi de R$ 3.108, 14,6% acima da média de pessoas de 14 anos ou mais. Homens recebiam R$ 4.071, enquanto mulheres ganhavam R$ 2.718, diferença de 33,2%. Pretos e pardos tinham renda média de R$ 2.403, frente a R$ 4.687 dos brancos, diferença de 48,7%, refletindo desigualdades históricas.

O IBGE também aponta que trabalhos domésticos apresentam os menores rendimentos, R$ 1.241, enquanto áreas como informação e financeira têm média de R$ 4.442, e administração pública, educação, saúde e serviços sociais, R$ 4.412. A desigualdade de gênero é reforçada pelas responsabilidades domésticas, que recaem principalmente sobre mulheres, afetando sua participação e rendimento no mercado de trabalho.

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