O médico Bruno Felisberto do Nascimento Tomiello, preso preventivamente pelo caso da morte da namorada adolescente, tornou-se réu em uma nova ação penal por suspeita de planejar um atentado contra a promotora de Justiça Rebeca Santana Rêgo, que atua na acusação do processo criminal relacionado à morte da jovem. A Justiça de Mato Grosso recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual (MPMT), conforme informações divulgadas nesta sexta-feira (23 de outubro de 2026). O novo processo apura uma possível tentativa de intimidar a representante do Ministério Público e dificultar sua atuação no Tribunal do Júri.
De acordo com a denúncia, o episódio teria ocorrido em 30 de junho de 2026, durante o banho de sol no Centro de Detenção Provisória de Peixoto de Azevedo, onde Bruno estava preso na ocasião. O médico teria perguntado a outro detento se conhecia alguém disposto a realizar um atentado contra a promotora. Ainda segundo a acusação, ele teria demonstrado insatisfação com a atuação da integrante do Ministério Público no processo e afirmado que estava disposto a pagar uma quantia elevada para que o ataque fosse executado, utilizando recursos de uma futura herança.
O Ministério Público sustenta que as declarações atribuídas ao médico tinham o objetivo de intimidar Rebeca Santana Rêgo e impedir ou dificultar o exercício de suas funções no processo criminal. A denúncia foi apresentada em 15 de outubro pela promotora Andreia Monte Alegre Bezerra de Menezes e atribui a Bruno o crime de coação no curso do processo, previsto no artigo 344 do Código Penal. A acusação agora será examinada no decorrer da ação penal, quando poderão ser apresentadas e contestadas as provas relacionadas ao caso.
Ao analisar a denúncia, o juiz João Zibordi Lara, da 2ª Vara de Peixoto de Azevedo, considerou que havia elementos iniciais suficientes para permitir o prosseguimento da ação. A decisão, entretanto, registrou que outros entrevistados durante a investigação policial não confirmaram a suposta ameaça. O magistrado ressaltou que a credibilidade do relato apresentado e a consistência das informações deverão ser avaliadas durante a instrução processual, com garantia do contraditório e da ampla defesa. Bruno deverá ser citado para apresentar resposta escrita à acusação no prazo de dez dias.
O novo processo está relacionado a outro caso criminal em que o médico responde pela morte de Kethlyn Vitória de Souza, de 15 anos, ocorrida em 3 de maio de 2025, em Guarantã do Norte, no norte de Mato Grosso. A adolescente foi atingida por um disparo de arma de fogo na cabeça dentro de um veículo. Durante a investigação, Bruno admitiu ter efetuado o disparo, mas alegou que acreditava que a arma estava descarregada e que o tiro foi acidental. A acusação relacionada à morte da jovem foi encaminhada ao Tribunal do Júri, e o médico permanece preso preventivamente.
As duas ações judiciais tratam de acusações distintas: uma apura a responsabilidade pela morte da adolescente e a outra investiga a suposta tentativa de intimidação da promotora responsável pela acusação. Até o momento, o recebimento da nova denúncia significa apenas que a Justiça autorizou o início da ação penal, sem estabelecer culpa definitiva. O andamento dos processos deverá esclarecer as circunstâncias dos fatos e permitir que a defesa apresente sua versão.















