Flávio Bolsonaro é citado em investigação sobre conta de empresa ligada a Willer Tomaz

A Polícia Federal identificou registros bancários que colocam o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) como “usuário master” de uma conta vinculada à Alcazar Holdings, empresa administrada pelo advogado e empresário Willer Tomaz. A informação, divulgada inicialmente em reportagens nacionais, integra uma apuração sobre possíveis irregularidades financeiras e suspeitas de lavagem de dinheiro. Flávio e Tomaz negam manter negócios entre si.

Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil e pelo G1, documentos recuperados pela Polícia Federal incluem mensagens trocadas por e-mail sobre a vinculação do senador à conta bancária. Para os investigadores, o perfil de usuário master poderia conferir acesso relevante à movimentação e ao gerenciamento da conta. A PF considera esse elemento, em conjunto com outros registros, um indício que precisa ser aprofundado para esclarecer se houve participação econômica ou societária de fato na empresa.

Os documentos também apontam que a Alcazar Holdings detinha participação em uma aeronave executiva utilizada por Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz em uma viagem realizada em janeiro de 2025, entre os Estados Unidos e o Brasil. O avião tinha outros proprietários, incluindo uma empresa ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A relação entre os envolvidos e a utilização de empresas para custear deslocamentos passaram a integrar as linhas de investigação sobre eventuais vínculos financeiros.

Em 18 de outubro, reportagens informaram que a Polícia Federal havia encaminhado ao Supremo Tribunal Federal material para apurar suspeitas relacionadas à relação entre Flávio e Tomaz. O caso foi distribuído ao ministro Alexandre de Moraes. A apuração envolve possíveis crimes financeiros, incluindo lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A situação processual, porém, exige cuidado: a defesa do senador afirmou que o material encaminhado ainda dependia de providências no Supremo, contestando a informação de que já existiria um novo inquérito formalmente instaurado.

A investigação também se relaciona a outros elementos encontrados pela Polícia Federal durante a análise de dados de Willer Tomaz, que foi alvo de busca e apreensão no âmbito da Operação Sem Desconto, voltada a suspeitas de fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Os investigadores analisam documentos financeiros, registros de viagens e relações empresariais para verificar a origem e a destinação de recursos, sem que esses elementos, isoladamente, representem comprovação de culpa.

Em atualização divulgada em 22 de outubro, o UOL informou que a holding Alcazar Holdings comunicou ao Tribunal Superior Eleitoral que aceita abrir o sigilo de suas contas e negou que Flávio Bolsonaro integre seu quadro societário. A manifestação acrescenta um novo elemento à apuração, que deverá confrontar os registros bancários, os documentos empresariais e as explicações apresentadas pelos envolvidos.

Flávio Bolsonaro declarou anteriormente que nunca manteve conta bancária tendo Willer Tomaz ou empresas dele como usuário master e afirmou que a vinculação identificada teria sido indevida, posteriormente solicitada para exclusão. A defesa de Tomaz também nega a existência de sociedade oculta ou irregularidades e sustenta que a relação entre os dois é de amizade. As declarações dos envolvidos deverão ser consideradas no curso da apuração, ao lado dos documentos reunidos pelas autoridades.

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