As principais hidrovias da Amazônia e do Pantanal estão em situação de alerta devido à estiagem que afeta importantes bacias hidrográficas do país. A redução dos níveis dos rios Madeira, Tapajós, Negro e Paraguai aumenta a preocupação com o transporte de cargas e passageiros, além do abastecimento de comunidades ribeirinhas. As informações foram divulgadas em reportagem publicada em 18 de outubro de 2026, com base em levantamento do Ministério de Portos e Aeroportos.
No rio Madeira, a estação de Porto Velho, em Rondônia, registrou 3,07 metros em 30 de setembro, após uma queda de 1,37 metro durante o mês. O nível ficou abaixo dos 4 metros utilizados como referência para o início de restrições operacionais, mas permaneceu acima da marca de 2 metros associada à paralisação da navegação. A hidrovia é estratégica para o escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste e transportou 12,1 milhões de toneladas de soja e milho em 2025, além de combustíveis e produtos essenciais.
A situação também exige atenção no rio Tapajós, no Pará. No fim de setembro, foram registradas profundidades de 3,15 metros em Itapaiúna e 2,99 metros em Monte Cristo. Em Itaituba, o nível chegou a 2,40 metros, enquanto Santarém registrou 2,63 metros. O corredor fluvial é importante para o escoamento de grãos produzidos em Mato Grosso, que chegam à região pela BR-163 e seguem em barcaças para os portos de exportação. No primeiro bimestre de 2026, a hidrovia movimentou 2,38 milhões de toneladas, principalmente soja e milho.
A dragagem de manutenção do Tapajós foi suspensa pelo governo federal após avaliações técnicas e diálogo com povos indígenas e comunidades tradicionais contrárias às intervenções. Em agosto, representantes do setor produtivo estimaram que dificuldades de navegação e a falta de dragagem poderiam provocar impactos de até R$ 850 milhões na cadeia produtiva. Entre as preocupações está a necessidade de transferir parte das cargas para o transporte rodoviário, o que elevaria os custos logísticos.
No rio Negro, em Manaus, o nível registrado em 30 de setembro foi de 18,80 metros, uma redução de 5,21 metros ao longo do mês. A marca ficou abaixo da mediana histórica para a data, embora ainda fosse superior aos 13,14 metros registrados no mesmo dia de 2024. A baixa dos rios Negro e Solimões preocupa por causa da possibilidade de formação de bancos de areia e de restrições à circulação de embarcações em trechos utilizados para o transporte de passageiros e pequenas cargas.
No Pantanal, o principal ponto de atenção é o rio Paraguai, que apresentava níveis inferiores às medianas históricas em diferentes estações de monitoramento. Em 30 de setembro, Cáceres, em Mato Grosso, registrou 77 centímetros, diante de uma mediana histórica de 1,42 metro. Em Ladário, Mato Grosso do Sul, o nível era de 1,18 metro, ante 2,55 metros, enquanto Porto Murtinho registrou 2,38 metros, em comparação com uma mediana de 4,48 metros. O cenário mantém a preocupação com a navegabilidade de uma rota conectada ao sistema fluvial que atende portos da Argentina e do Uruguai.
As perspectivas climáticas também exigem atenção. Boletim divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia em 30 de setembro, elaborado em conjunto com outras instituições federais, apontou tendência de intensificação da seca e do risco de incêndios no centro-norte do Brasil, além da possibilidade de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro. As previsões indicam condições que podem agravar a disponibilidade de água em áreas da Amazônia, embora a evolução dos níveis dependa das condições meteorológicas de cada bacia.
Para reduzir os impactos, o Ministério de Portos e Aeroportos informou que mantém contratos de dragagem de manutenção nos rios Madeira, Amazonas, Solimões e Paraguai. Segundo a pasta, os serviços removem sedimentos de trechos que podem comprometer a navegação, sem aprofundar o leito dos rios. A situação de alerta, entretanto, não significa que todas as hidrovias estejam paralisadas ou que uma emergência tenha sido formalmente decretada. A continuidade do transporte dependerá das condições hidrológicas e das avaliações operacionais realizadas pelas autoridades.










