O Brasil registrou, em 2025, a maior redução da série histórica do trabalho infantil, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na sexta-feira, 16 de outubro de 2026. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), dedicada ao trabalho de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos, apontou que 1,499 milhão de pessoas nessa faixa etária estavam em situação de trabalho infantil no país. O número representa uma queda de 9,2% em relação a 2024, quando o contingente era maior em aproximadamente 151 mil pessoas.
Com o resultado, a proporção de crianças e adolescentes submetidos ao trabalho infantil recuou para 4% da população brasileira de 5 a 17 anos, o menor percentual da série histórica iniciada em 2016. Do total registrado em 2025, cerca de 1,141 milhão realizavam atividades econômicas, enquanto 358 mil estavam envolvidos exclusivamente na produção para o próprio consumo. O IBGE ressalta que nem toda atividade desempenhada por crianças e adolescentes é classificada como trabalho infantil: a definição considera fatores como riscos à saúde, prejuízos ao desenvolvimento e interferências na escolarização.
A pesquisa também identificou diferenças importantes entre as regiões brasileiras. O Sudeste concentrava o maior número absoluto de crianças e adolescentes nessa situação, com aproximadamente 481 mil casos, seguido pelo Nordeste, com 408 mil. Quando considerada a proporção da população de 5 a 17 anos, entretanto, o Norte apresentou o índice mais elevado, de 6,3%, enquanto o Sudeste registrou o menor percentual, de 3,3%. Os dados mostram que, apesar do avanço nacional, o problema permanece distribuído de maneira desigual pelo território brasileiro.
A faixa etária também influencia a incidência do trabalho infantil. Entre adolescentes de 16 e 17 anos, a proporção chegou a 14,5%, a maior entre os grupos analisados. Nessa faixa, 79,6% dos que estavam em situação de trabalho infantil frequentavam a escola, percentual inferior aos 89,6% observados no conjunto da população da mesma idade. Além disso, o levantamento identificou 525 mil crianças e adolescentes ocupados nas chamadas piores formas de trabalho infantil, que envolvem atividades consideradas especialmente prejudiciais ou perigosas. Embora esse contingente também tenha atingido o menor nível da série, o número evidencia a permanência de situações graves de exploração.
Outro destaque do levantamento é a redução observada entre famílias beneficiárias do Bolsa Família. Em 2025, aproximadamente 573 mil crianças e adolescentes residentes em domicílios atendidos pelo programa estavam em situação de trabalho infantil, o equivalente a 4,4% desse grupo. Em comparação com 2024, houve uma diminuição de 20,1%, correspondente a cerca de 144 mil pessoas a menos nessa condição. Segundo os dados divulgados pelo IBGE, essa redução respondeu por mais de 95% da queda total registrada no país no período. O resultado indica uma associação relevante entre a diminuição do trabalho infantil e a evolução dos indicadores nos domicílios beneficiados, sem estabelecer, isoladamente, uma relação de causalidade exclusiva.
Apesar do avanço, o cenário ainda exige atenção das autoridades e da sociedade. O trabalho infantil pode comprometer a educação, a saúde e o desenvolvimento físico, psicológico e social de crianças e adolescentes, especialmente quando envolve jornadas extensas, atividades perigosas ou condições de exploração. Os resultados divulgados em 16 de outubro de 2026 representam um marco positivo, mas a permanência de quase 1,5 milhão de jovens nessa situação demonstra que a erradicação do problema continua sendo um desafio para as políticas públicas de proteção à infância no Brasil.













