O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, criticou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e afirmou que a Corte estaria ultrapassando os limites em decisões contrárias à sua campanha. As declarações foram feitas na segunda-feira (12 de outubro de 2026), após a suspensão temporária do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). A medida havia sido determinada pelo presidente do tribunal, ministro Kassio Nunes Marques, em resposta a um pedido da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Lula questionou os critérios utilizados pelo presidente do TSE e defendeu que a Justiça Eleitoral adote os mesmos parâmetros para todos os candidatos. “O que não pode é o presidente da Suprema Corte Eleitoral ter lado na política. O lado dele tem que ser o lado da igualdade de comportamento, da igualdade de procedimento”, declarou o presidente. Ele também afirmou que sua campanha pretende continuar utilizando canais digitais para se comunicar com apoiadores, por considerar o WhatsApp uma ferramenta de baixo custo para a divulgação de mensagens eleitorais.
A suspensão do canal foi determinada no domingo (11 de outubro), após a campanha de Flávio Bolsonaro acusar Janones de utilizar a plataforma para coordenar a disseminação de informações falsas contra o adversário. Na decisão, Nunes Marques apontou publicações que, segundo ele, indicariam uma estratégia organizada de distribuição de conteúdo entre seguidores. O ministro também mencionou mensagens sobre uma suposta proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil, além de outras alegações relacionadas ao candidato do PL. A informação sobre a suposta proposta foi contestada porque o projeto citado havia sido apresentado em 2007 por outro parlamentar, Victório Galli, e não por Flávio Bolsonaro.
Horas depois da suspensão, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, revogou a medida e determinou a reativação do canal, mantendo a proibição de divulgar conteúdos cuja falsidade já tenha sido reconhecida pela Justiça Eleitoral. Cueva considerou que a suspensão integral exigia uma análise mais aprofundada e determinou que a controvérsia fosse submetida ao plenário do TSE. A decisão provocou reação da campanha de Flávio, que classificou a reversão como inadequada e acusou a Corte de tolerar a disseminação de desinformação.
Na segunda-feira (12), a área técnica do TSE apresentou um relatório sobre as publicações do canal. A análise examinou mensagens e vídeos divulgados entre 2 e 11 de outubro e não encontrou, nesse intervalo, reproduções dos conteúdos específicos apontados pela campanha de Flávio na denúncia. O documento, no entanto, registrou uma limitação: mensagens publicadas entre 25 e 29 de setembro haviam sido apagadas ou editadas a partir de 7 de outubro, dificultando a reconstrução completa do histórico. A conclusão técnica, portanto, se restringe ao material que pôde ser examinado e não representa uma decisão definitiva sobre todas as alegações do processo.
O relatório também destacou o alcance do canal, que chegou a reunir mais de 3 milhões de seguidores, e a existência de orientações para que apoiadores compartilhassem conteúdos simultaneamente em diferentes plataformas. Segundo a avaliação técnica, essa capacidade de mobilização pode ampliar a circulação de informações, inclusive de conteúdos potencialmente enganosos. A análise ressaltou ainda o uso de linguagem polarizadora, mas não identificou, no período examinado, as publicações específicas mencionadas na denúncia.
Diante do conflito entre as decisões e das críticas das duas campanhas, Nunes Marques convocou representantes jurídicos de Lula e Flávio Bolsonaro para uma reunião nesta terça-feira (13 de outubro), com o objetivo de discutir a conduta das candidaturas durante o segundo turno, marcado para 25 de outubro. Lula afirmou que pretende continuar ampliando sua presença no WhatsApp e chegou a mencionar a criação de novos canais de transmissão. O caso permanece no âmbito da Justiça Eleitoral, onde os magistrados deverão avaliar as provas, os limites da atuação das campanhas e os critérios para combater a desinformação sem restringir indevidamente a comunicação política.













