Incêndios no Amazonas levantam suspeita de ação criminosa, diz ministro

O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que os incêndios florestais registrados no Amazonas apresentam indícios de ação humana intencional. A declaração foi feita no domingo (11 de outubro de 2026), após um sobrevoo por áreas atingidas pelas queimadas ao lado do ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes. Segundo Capobianco, a presença de fogo no interior de florestas preservadas levanta a suspeita de que as chamas estejam sendo utilizadas para degradar a vegetação e preparar o terreno para futuros desmatamentos.

Os números divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) demonstram a dimensão do problema. De acordo com dados publicados pela Agência Brasil em 12 de outubro, o Amazonas registrou 540 novos focos de incêndio em apenas 48 horas. Desse total, 494 foram detectados no sábado (10), enquanto, no mesmo dia de 2025, não havia registro de novos focos no estado. O volume acumulado em dois dias corresponde a mais da metade dos 874 focos contabilizados durante todo o mês de outubro do ano anterior.

Durante a avaliação das áreas atingidas, Capobianco destacou a necessidade de identificar e responsabilizar os autores das queimadas. “É fundamental que as pessoas que estão agindo criminosamente vejam que serão punidas”, afirmou. O ministro ressaltou que os focos observados no interior de áreas florestais preservadas diferem dos incêndios que começam em pastagens e se espalham para a vegetação nativa. Apesar dos indícios, o Ministério do Meio Ambiente esclareceu que as circunstâncias dos incêndios e a eventual identificação dos responsáveis dependem da investigação dos órgãos competentes.

Diante do agravamento da situação, o governo federal mobilizou 11 aeronaves e 290 brigadistas para reforçar as operações no estado. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, seis aeronaves já haviam chegado ao Amazonas e estavam integradas às ações de combate. A estrutura inclui aviões Air Tractor, helicópteros e aeronaves KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB), empregadas no apoio às equipes que atuam nas regiões afetadas. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) também mantém brigadistas em campo e realiza operações para extinguir os incêndios.

A crise levou ainda ao reconhecimento federal da situação de emergência em 36 municípios amazonenses, medida que facilita a mobilização de recursos para enfrentar os efeitos das queimadas. Em Manaus, a fumaça comprometeu a qualidade do ar e levou à suspensão de eventos ao ar livre nos dias 11 e 12 de outubro. As autoridades também alertaram para os riscos à saúde, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias. A Defesa Civil e equipes de saúde foram mobilizadas para apoiar as populações atingidas.

Em nota atualizada em 12 de outubro, o Ministério do Meio Ambiente informou que o Ibama havia extinguido 282 incêndios desde o início da temporada no Amazonas e continuava atuando no combate a outros oito incêndios ativos naquele balanço. O ministério também declarou que o governo estadual havia dispensado, em 30 de setembro, uma equipe federal que ainda não havia se deslocado para o campo, depois que as chuvas contribuíram para reduzir os focos naquele momento. Posteriormente, diante do agravamento das queimadas, o governo federal reforçou a operação com equipes e aeronaves.

A escalada dos incêndios mantém em alerta autoridades ambientais e de saúde. Além do combate às chamas, o desafio é apurar se houve uso deliberado do fogo para favorecer o desmatamento e responsabilizar os envolvidos, caso as suspeitas sejam confirmadas.

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