Chuva demais x Seco demais! El Niño intensifica extremos climáticos e coloca Brasil em alerta

O avanço de um episódio de El Niño de intensidade muito forte está associado a cenários climáticos contrastantes no Brasil, com maior risco de seca e incêndios em áreas do centro-norte e de chuvas volumosas, enchentes e temporais no Sul e em partes do Sudeste. O alerta foi reforçado em 11 de outubro de 2026 pela MetSul Meteorologia, com base em dados climáticos e ocorrências registradas nas últimas semanas. Um boletim conjunto de órgãos federais, divulgado no fim de setembro, também aponta para a possibilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte entre outubro e dezembro.

Segundo a MetSul, os dados da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA), calculados pelo índice ONI, indicavam uma anomalia de temperatura de até 3,2 °C na região Niño 3.4 do Pacífico Equatorial. A marca, conforme a análise publicada pela empresa de meteorologia, superaria o pico semanal de 3,0 °C registrado durante o El Niño de 2015 e 2016. Já a atualização do Centro de Previsão Climática da NOAA, publicada em 8 de outubro, apontou o fortalecimento do fenômeno, com anomalia de 2,1 °C no índice Niño 3.4. Os números correspondem a indicadores e períodos de análise distintos, mas confirmam o aquecimento expressivo do Pacífico.

No Sul do Brasil, o excesso de chuva já provocou elevação de rios e inundações em diferentes localidades. No Rio Grande do Sul, municípios próximos aos rios Taquari, Caí, Jacuí e Uruguai enfrentaram cheias, enquanto pontos da fronteira oeste permaneciam acima das cotas de inundação. Em Santa Catarina, a precipitação elevada afetou áreas próximas aos rios Uruguai, Chapecó, Bonito e Itajaí. No Paraná, o Vale do Ribeira registrou inundações, e a região de União da Vitória continuava vulnerável à elevação do Rio Iguaçu. Em São Paulo, o Vale do Ribeira também enfrentou alagamentos, e as chuvas de setembro provocaram o transbordamento do Rio Tietê na Região Metropolitana.

Na Região Norte, a situação descrita pela MetSul é marcada pela combinação de estiagem, queimadas e fumaça. No Amazonas, a concentração de material particulado fino elevou os riscos à saúde em Manaus. Segundo os dados citados na reportagem, o nível de MP2,5 chegou a 344,5 microgramas por metro cúbico durante a madrugada de sexta-feira, 9 de outubro, conforme registros da plataforma Selva, da Universidade do Estado do Amazonas. A poluição levou à suspensão de atividades ao ar livre e de aulas presenciais em instituições de ensino, enquanto autoridades recomendaram que a população evitasse exercícios externos e reforçasse os cuidados para reduzir a exposição à fumaça.

O número de focos de calor no Amazonas também apresentou aumento expressivo. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), citados pela MetSul, apontaram 3.726 focos em setembro de 2026, contra 942 no mesmo mês de 2025. Além das condições climáticas mais secas, a propagação dos incêndios pode ser favorecida pelo uso ilegal do fogo para limpeza de áreas e pastagens. O governo federal mobilizou aeronaves e brigadistas para reforçar o combate às chamas no estado.

O boletim elaborado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), pelo INPE, pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) e por outros órgãos federais prevê 95% de probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte no trimestre de outubro a dezembro. A tendência é de persistência do fenômeno pelo menos até o primeiro trimestre de 2027, com temperaturas acima da faixa normal em grande parte do país. Os órgãos ressaltam, entretanto, que se trata de uma previsão sazonal e que os impactos variam conforme as condições meteorológicas de cada região.

A evolução do fenômeno exige acompanhamento contínuo de alertas meteorológicos, níveis dos rios, qualidade do ar e focos de incêndio. Embora o El Niño altere a circulação atmosférica e aumente a probabilidade de determinados extremos climáticos, ele não determina sozinho cada ocorrência. A distribuição das chuvas e a intensidade dos impactos dependem também de outros sistemas atmosféricos, das condições locais e da evolução do tempo. Por isso, a orientação é acompanhar os comunicados oficiais da Defesa Civil e dos órgãos meteorológicos, especialmente nas áreas sujeitas a inundações, estiagem e fumaça.

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