O plantio da soja da safra 2026/27 ganhou força em Mato Grosso na primeira semana de outubro e alcançou 33,28% da área estimada até sexta-feira, 9 de outubro. Os dados são do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgados pelo Sistema Famato. O avanço foi de 23,04 pontos percentuais em apenas uma semana, indicando a recuperação do ritmo das operações após um início marcado pela irregularidade das chuvas e pela cautela dos produtores.
Com uma área projetada de 13,05 milhões de hectares, Mato Grosso depende da continuidade das precipitações para manter o avanço da semeadura. O percentual registrado em 9 de outubro já estava 12,06 pontos percentuais acima do observado no mesmo período da safra 2025/26. Na comparação com a temporada 2023/24, porém, o índice ainda permanecia 1,81 ponto percentual abaixo, demonstrando que a recuperação não representa necessariamente a eliminação de todas as diferenças em relação a outros ciclos agrícolas.
Entre as regiões produtoras, o Médio-Norte e o Oeste apresentaram avanços expressivos na semana, de 35,58 e 23,42 pontos percentuais, respectivamente. O resultado foi favorecido pela melhora das condições para o trabalho no campo e pela intensificação das operações em propriedades de maior extensão. Nas regiões Sudeste e Nordeste, as chuvas também contribuíram para acelerar o plantio. Já no Noroeste, a falta de precipitações continuou limitando os trabalhos, que se concentraram principalmente em Brasnorte, na divisa com a região Oeste.
O comportamento das chuvas permanece como um dos principais fatores para a continuidade da semeadura. No início de outubro, os produtores enfrentaram dificuldades para colocar as sementes no solo devido à umidade insuficiente em diferentes áreas do estado. Com a chegada de novas precipitações, as operações ganharam velocidade, mas a distribuição irregular da chuva ainda exige atenção para evitar problemas no estabelecimento das lavouras e a necessidade de replantio.
Para a safra 2026/27, o Imea mantém a estimativa de 48,88 milhões de toneladas de soja, cultivadas em 13,05 milhões de hectares, com produtividade média projetada de 62,44 sacas por hectare. Esses números ainda dependem das condições climáticas ao longo do ciclo e poderão ser revistos conforme o desenvolvimento das lavouras. O fenômeno El Niño e seus possíveis efeitos sobre a distribuição das precipitações estão entre os fatores acompanhados pelo setor.
O avanço do plantio também é importante para o calendário das culturas subsequentes, especialmente o milho de segunda safra, cuja semeadura ocorre após a colheita da soja. Atrasos prolongados na implantação da oleaginosa podem reduzir a janela disponível para o cereal e aumentar a exposição a condições climáticas menos favoráveis. Por isso, nas próximas semanas, o ritmo das máquinas e a regularidade das chuvas serão determinantes para avaliar se Mato Grosso conseguirá manter o avanço registrado no início de outubro e cumprir o calendário previsto para a safra.













