Sistema proporcional deixa candidatos bem votados fora da Assembleia de MT

A eleição para deputado estadual em Mato Grosso mostrou que uma votação individual expressiva não é suficiente para garantir uma das 24 cadeiras da Assembleia Legislativa. Candidatos que receberam mais votos do que alguns parlamentares eleitos ficaram de fora da próxima legislatura devido às regras do sistema proporcional, que considera o desempenho conjunto dos partidos e federações na distribuição das vagas.

Um dos principais exemplos é o do ex-presidente da Assembleia Legislativa Eduardo Botelho (MDB). Ele recebeu 37.359 votos, mas não conseguiu uma cadeira. A votação foi superior à de quatro candidatos que foram eleitos: Adelcino Lopo (Podemos), com 21.146 votos; Wilson Santos (PSD), com 19.911; Chico Guarnieri (PSDB), com 18.842; e Alcino Barcelos (PL), com 22.624 votos. O MDB, porém, conquistou três vagas, preenchidas pelos candidatos mais votados da legenda.

Outro caso é o de Paulo Araújo (Republicanos), que obteve 30.338 votos e também ficou fora da Assembleia. A situação se repete com Ari Lafin, do mesmo partido, que recebeu 29.408 votos. O Republicanos conquistou quatro cadeiras, destinadas a Diego Guimarães, Valmir Moretto, Dr. Eugênio e Nininho, de acordo com a ordem de votação dentro da legenda.

Também não conseguiram se eleger Jéssica Riva (MDB), que recebeu cerca de 26 mil votos, e Alan Porto (Republicanos), com aproximadamente 24,7 mil. Os dois tiveram votação superior à de alguns candidatos que conquistaram mandato. O resultado evidencia a diferença entre as eleições majoritárias, nas quais o candidato mais votado vence, e as proporcionais, utilizadas para deputados e vereadores.

Segundo as regras eleitorais, nas eleições proporcionais os votos recebidos pelos candidatos e pela própria legenda são considerados no desempenho partidário. O quociente eleitoral é calculado a partir dos votos válidos e do número de vagas em disputa. Depois, o quociente partidário e a distribuição das vagas restantes definem quantas cadeiras cada partido ou federação poderá preencher. Para ocupar as vagas, os candidatos também precisam cumprir a votação nominal mínima prevista na legislação eleitoral.

Na nova composição da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, o Podemos ficou com a maior bancada, com seis cadeiras. PL e Republicanos conquistaram quatro vagas cada, enquanto o MDB ficou com três. União Brasil, PT e PSDB elegeram dois deputados cada, e o PSD garantiu uma cadeira. A composição demonstra como o desempenho coletivo das legendas foi determinante para a definição dos eleitos.

O resultado final reforça uma característica fundamental do sistema proporcional: o eleitor vota em um candidato, mas esse voto também contribui para o desempenho eleitoral do partido ou da federação. Por isso, um candidato pode receber mais votos individualmente do que outro que conquistou uma cadeira e, ainda assim, terminar como suplente, dependendo da quantidade de vagas obtida por sua legenda e das regras utilizadas para a distribuição dos assentos.

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