O sistema BRBJUS, utilizado para administrar depósitos judiciais do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) e operado pelo Banco de Brasília (BRB), foi alvo de 520 transferências Pix não autorizadas que retiraram R$ 53,1 milhões das contas judiciais. O ataque ocorreu em 17 de setembro de 2026 e o valor, inicialmente estimado em R$ 43 milhões, foi posteriormente revisado pelo banco para R$ 53,1 milhões.
Segundo informações apresentadas pelo BRB, as movimentações começaram por volta das 6h10 de 17 de setembro. O banco identificou as transações consideradas anormais às 10h e bloqueou o sistema aproximadamente dez minutos depois. A instituição acionou o mecanismo de devolução do Pix, comunicou o Banco Central e informou que faria a recomposição integral dos recursos nas contas judiciais, independentemente da recuperação dos valores desviados.
A origem do incidente permanece sob investigação e envolve versões diferentes sobre o ambiente em que ocorreu a invasão. O TJBA informou oficialmente que o episódio aconteceu em ambiente tecnológico externo ao tribunal, pertencente e administrado pelo BRB, incluindo a gestão das credenciais utilizadas para acesso ao sistema. O banco, por outro lado, afirmou que os elementos levantados indicavam uma origem externa ao ambiente sob sua gestão. Entre as hipóteses apresentadas estão o uso indevido de certificado digital e a exploração de uma interface do sistema.
O caso também chegou ao Supremo Tribunal Federal. Depois de a Bahia comunicar o incidente em processo relacionado ao contrato entre o BRB e o TJBA, o ministro Luiz Fux determinou, em 22 de setembro, que o banco apresentasse informações sobre as providências administrativas e criminais adotadas. O BRB respondeu em 28 de setembro e informou ter tomado medidas na esfera criminal, sem divulgar publicamente detalhes das providências.
O TJBA comunicou em 24 de setembro que o BRBJUS havia sido restabelecido integralmente, inclusive para o pagamento eletrônico de alvarás. Na retomada, foram adotados limites preventivos para as operações: R$ 1 milhão durante o período diurno, a partir das 7h, e R$ 100 mil no período noturno, a partir das 18h. O tribunal também instaurou procedimento administrativo para apurar o episódio e avaliar eventuais medidas contratuais.













