A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira, 17 de setembro de 2026, a Operação Apolônia para investigar suspeitas de peculato e lavagem de dinheiro envolvendo aproximadamente R$ 40 milhões do Conselho Federal de Odontologia (CFO). A ação cumpriu cinco mandados de busca e apreensão em Mato Grosso e São Paulo, por determinação da 12ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal.
Segundo a Polícia Federal, os recursos do CFO teriam sido repassados a uma empresa privada responsável pela gestão de investimentos. A investigação aponta que a empresa não possuía autorização do Banco Central nem da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para atuar no mercado financeiro. Os investigadores também identificaram movimentações financeiras consideradas atípicas, incluindo transferências entre empresas e pessoas relacionadas aos investigados e remessas de recursos para o exterior.
Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam aproximadamente R$ 300 mil em dinheiro vivo e veículos. A Justiça Federal também determinou o bloqueio de até R$ 57 milhões em contas bancárias e bens pertencentes a pessoas físicas e jurídicas investigadas. Entre os alvos estão ex-dirigentes do Conselho Federal de Odontologia e empresários.
Em Mato Grosso, um dos investigados é o cirurgião-dentista Luiz Evaristo Ricci Volpato, de Cuiabá. Ele presidiu o Conselho Regional de Odontologia de Mato Grosso entre 2015 e 2018 e posteriormente integrou a diretoria do Conselho Federal de Odontologia como tesoureiro, entre 2018 e 2021. A Polícia Federal não informou qual teria sido a participação específica dele nas supostas irregularidades.
O Conselho Federal de Odontologia informou que tomou conhecimento da Operação Apolônia e afirmou que a investigação envolve investimentos realizados durante uma gestão anterior. Segundo a entidade, a administração responsável pelos fatos investigados já havia sido afastada por decisão da Justiça Federal em razão de irregularidades identificadas na destinação dos recursos.
A defesa de Luiz Evaristo Ricci Volpato declarou que o dentista teria sido enganado e negou participação nas irregularidades investigadas. Segundo o advogado do cirurgião-dentista, as supostas condutas teriam sido praticadas exclusivamente por um então diretor-executivo do CFO e pelo advogado dele. A manifestação integra a defesa do investigado e será confrontada com os elementos reunidos pela Polícia Federal.
A investigação continua com a análise do material apreendido durante a operação. Até 18 de setembro de 2026, não havia informação oficial sobre prisões relacionadas à Operação Apolônia. A Polícia Federal busca esclarecer a destinação dos aproximadamente R$ 40 milhões, identificar a responsabilidade individual dos envolvidos e verificar a origem e o destino das movimentações financeiras consideradas suspeitas.














