Planta de flores grandes encontrada entre Alta Floresta e o sul do Pará parece ter sido moldada para receber beija-flores

Nova planta da Amazônia tem flores adaptadas a possíveis beija-flores

Uma nova espécie de planta encontrada na região da Amazônia Meridional chama atenção pelo tamanho e pela estrutura de suas flores. Batizada de Justicia vitoriae, a espécie foi descrita cientificamente em 2025 pelos pesquisadores Igor Henrique Freitas Azevedo e Ana Kelly Koch e ocorre nos estados de Mato Grosso e Pará, em uma área de transição entre a Amazônia e formações associadas ao Cerrado. A espécie é atualmente reconhecida pelo Plants of the World Online, banco de dados mantido pelo Royal Botanic Gardens, Kew.

A planta pertence à família Acanthaceae e apresenta inflorescências densas, com flores grandes e vistosas. Essas características levaram os pesquisadores a considerar que a espécie pode apresentar polinização por aves, especialmente beija-flores. A hipótese está relacionada à chamada ornitofilia, quando características das flores favorecem a visita e o transporte de pólen por aves. No entanto, a morfologia, sozinha, não comprova que determinada espécie de beija-flor seja responsável pela polinização.

Justicia vitoriae foi descrita a partir de exemplares encontrados na Floresta Amazônica dos estados de Mato Grosso e Pará. A publicação científica destaca características que ajudam a diferenciar a nova espécie de outras plantas do gênero Justicia, entre elas as inflorescências densas, as corolas alongadas e bilabiadas e as cápsulas robustas com sementes lisas e aproximadamente esféricas. A espécie apresenta maior proximidade morfológica com Justicia riedeliana.

A descoberta foi publicada em 22 de julho de 2025 no periódico científico Phytotaxa, no artigo assinado por Igor Henrique Freitas Azevedo e Ana Kelly Koch. O trabalho apresenta a descrição e a ilustração da espécie e registra sua ocorrência na região da Amazônia Meridional brasileira. Registros atuais do Plants of the World Online também reconhecem Justicia vitoriae como uma espécie aceita, com distribuição nativa no Pará e em Mato Grosso.

O nome da espécie faz homenagem a Vitória Da Riva, ligada à conservação da região amazônica. A escolha do nome foi destacada posteriormente pela Fundação Ecológica Cristalino, que informou que a espécie também foi utilizada para marcar a amostra de número 29 mil do Herbário da Amazônia Meridional, mantido pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat).

A possibilidade de associação com beija-flores é um dos aspectos que mais chamam atenção na descoberta, mas ainda há espaço para novas observações de campo. Para confirmar a participação dessas aves na reprodução da planta, seriam necessárias observações diretas de visitantes, análises de transporte de pólen e estudos sobre o comportamento dos animais diante das flores. Assim, o que a ciência já estabeleceu é a existência e a descrição da nova espécie; a relação específica com beija-flores permanece como uma hipótese a ser investigada.

Materia com base na reportagem da Revista Amazonia, acesse neste link

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