Prefeitos e lideranças municipais do Centro-Oeste cobraram do Governo Federal apoio financeiro, equipamentos e estrutura para enfrentar os impactos da seca, das queimadas e de outros eventos climáticos extremos. A discussão ocorreu em reunião virtual realizada nesta sexta-feira, 28 de agosto de 2026, pela Presidência da República, por meio da Secretaria de Relações Institucionais e da Casa Civil.
A Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM) participou da articulação, representada pelo presidente Hemerson Maninho e pelo coordenador de Relações Institucionais, José Antônio Pinheiro. O encontro contou ainda com a participação do ministro de Relações Institucionais, José Guimarães, que deu continuidade às tratativas iniciadas durante uma visita recente à sede da AMM, em Cuiabá.
Durante a reunião, o Governo Federal apresentou propostas para a criação de redes integradas de resposta rápida entre a União e as entidades municipalistas de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e do Distrito Federal. A preocupação está relacionada às projeções de um cenário de estiagem prolongada, aumento do risco de queimadas e comprometimento do abastecimento hídrico em diferentes áreas da região.
O presidente da AMM afirmou que os municípios precisam de condições concretas para agir diante da crise. “Precisamos fortalecer urgentemente as coordenadorias municipais de Proteção e Defesa Civil, garantindo condições operacionais mínimas”, declarou Hemerson Maninho. Entre os equipamentos citados estão caminhões-pipa, equipamentos de proteção individual, estruturas de apoio aos brigadistas, drones e sistemas de monitoramento em tempo real para identificar focos de incêndio, áreas de risco e alagamentos.
Maninho também defendeu uma atuação coordenada entre municípios, estados e Governo Federal. Segundo ele, a prioridade deve ser preparar as cidades para uma resposta imediata, mas sem deixar de garantir planejamento e suporte contínuo às famílias atingidas pelos eventos ambientais. A AMM informou que continuará mobilizando as administrações municipais de Mato Grosso para a elaboração de planos locais de contingência e a busca por recursos e apoio técnico.
O cenário climático reforça a preocupação dos gestores. O segundo boletim do Painel El Niño 2026-2027, divulgado pelo Governo Federal em agosto, prevê para o trimestre agosto-setembro-outubro chuvas abaixo da média em grande parte do Centro-Oeste e temperaturas acima da média. A combinação pode manter condições favoráveis à ocorrência de períodos de estiagem e aumentar a necessidade de preparação das estruturas municipais de proteção e defesa civil.
A situação também aparece nos dados mais recentes do Monitor de Secas. Segundo a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, a área do território brasileiro afetada pela seca passou de 45% para 52% entre junho e julho, com intensificação do fenômeno em regiões do Centro-Oeste. Diante desse cenário, a frente municipalista defende que investimentos em equipamentos, tecnologia e capacidade operacional sejam realizados antes do agravamento dos eventos extremos.













