Escassez de mão de obra afeta 94,8% dos produtores rurais brasileiros

A escassez de mão de obra se tornou o principal desafio enfrentado pelos produtores rurais brasileiros, segundo estudo da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), realizado em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP). O levantamento mostra que 94,8% dos produtores consultados enfrentam algum tipo de dificuldade para contratar trabalhadores.

O estudo foi apresentado na terça-feira (25), em São Paulo, durante o evento “Agenda Brasil – Crescimento, Emprego e Competitividade”, promovido pelo Sistema CNA/Senar em parceria com o Estadão. De acordo com os dados, 44,5% dos produtores consideram a disponibilidade de mão de obra o principal problema da atividade, superando preocupações como custos de produção, condições climáticas e preços.

A dificuldade de contratação já provoca impactos diretos dentro das propriedades. Segundo a pesquisa, 84,3% dos produtores trabalham com equipes menores do que o necessário e 88,3% identificaram alguma consequência produtiva relacionada à falta de trabalhadores. Entre os efeitos estão atrasos nas operações, apontados por 48,7% dos entrevistados, e adiamento ou desistência de planos de expansão, citados por 48%.

O problema também tem reflexos financeiros e está acelerando a adoção de tecnologia no campo. Para 43,9% dos produtores, a escassez provocou aumento dos custos com mão de obra, enquanto 42,6% anteciparam investimentos em mecanização e automação. Outros 42% afirmaram ter reduzido a produção em razão da dificuldade de encontrar trabalhadores.

A pesquisa aponta ainda que a questão não envolve apenas quantidade de funcionários, mas também qualificação. Entre 2012 e 2025, o número de trabalhadores rurais com ensino médio aumentou 114%, enquanto o contingente com ensino superior cresceu 155%. Ao mesmo tempo, parte da força de trabalho migrou para outros setores da economia, enquanto a urbanização reduziu a disponibilidade de pessoas para atividades no campo.

Diante desse cenário, 88,8% dos produtores afirmaram ter adotado alguma estratégia para enfrentar a escassez. Entre as alternativas estão investimentos em mecanização e automação, mudanças nos sistemas produtivos, terceirização e medidas para atrair e manter trabalhadores.

Para Bruno Lucchi, diretor técnico da CNA, o avanço da mecanização está diretamente relacionado à dificuldade de encontrar trabalhadores. “A mecanização é consequência da falta de mão de obra, e não a causa”, afirmou. Segundo ele, muitos produtores estão mudando de atividade e reduzindo planos de expansão em razão da escassez.

O levantamento mostra, portanto, que a falta de trabalhadores deixou de ser apenas uma dificuldade de contratação e passou a influenciar decisões de produção, investimentos e expansão do agronegócio brasileiro. Com um setor cada vez mais tecnológico, a necessidade de mão de obra qualificada se torna um dos principais desafios para manter o ritmo de crescimento e produtividade no campo.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui