Polícia mira facção com base no Rio e sequestra frota de luxo

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou na manhã de terça-feira (25) a Operação Dark Route, destinada a desarticular um núcleo de uma facção criminosa com atuação no eixo Mato Grosso–Rio de Janeiro. A investigação identificou uma estrutura voltada, segundo a corporação, à proteção de foragidos da Justiça, manutenção de integrantes armados, movimentação financeira, suporte logístico e ocultação de patrimônio. As ordens judiciais foram cumpridas em Várzea Grande, em Mato Grosso, e no Rio de Janeiro. 

Ao todo, foram expedidos nove mandados de prisão preventiva, três mandados de busca e apreensão e cinco ordens de sequestro de veículos. Entre os bens atingidos estão um Porsche Boxster GTS, duas BMWs, um Audi A3 e um Volkswagen T-Cross, avaliados em aproximadamente R$ 1,5 milhão. Conforme a investigação, os veículos circulavam entre integrantes do grupo e, em alguns casos, estavam registrados formalmente em nome de terceiros, embora fossem utilizados por pessoas próximas à liderança investigada. 

A apuração aponta que o Rio de Janeiro era utilizado pelo grupo não apenas para esconder criminosos procurados pela Justiça de Mato Grosso. Segundo a Polícia Civil, uma estrutura instalada em áreas dominadas pela facção funcionava como base de proteção, comando e articulação. Parte dos investigados estava no Complexo do Alemão, de onde seriam mantidas conexões com as atividades desenvolvidas em Mato Grosso. As investigações também identificaram integrantes portando e efetuando disparos com fuzis de uso restrito e informações relacionadas à guarda e ao deslocamento de armas e munições. 

Antes da deflagração da Dark Route, um dos alvos teve o mandado de prisão cumprido em 20 de agosto. Segundo a investigação, o homem apontado como auxiliar da liderança foi localizado no Rio de Janeiro depois de deixar o Complexo do Alemão para frequentar uma academia. Na operação de terça-feira, outros dois alvos foram presos em Várzea Grande. O principal investigado, Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como “Batman”, não foi localizado e continua foragido no Rio de Janeiro. 

De acordo com os investigadores, a fuga para o Rio de Janeiro não teria interrompido a atuação atribuída à liderança. Jonas Souza Gonçalves Júnior continuaria mantendo contato com operadores financeiros, integrantes armados, familiares e pessoas apontadas como responsáveis pela ocultação de bens. O sequestro dos cinco veículos faz parte da estratégia de descapitalização investigada pela Polícia Civil, que busca atingir não apenas os integrantes do grupo, mas também os recursos e a estrutura patrimonial utilizados para sustentar suas atividades. 

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