Governo do Rio é alvo de investigação após 70 milhões de CPFs serem usados no Córtex

O Governo do Rio de Janeiro é investigado por suspeita de uso irregular do Córtex, plataforma federal de inteligência do Ministério da Justiça, após auditoria identificar que 69,2 milhões de CPFs, quase um terço da população brasileira, foram registrados como autores de mais de 213 milhões de consultas. Os dados apontam indícios de consultas automatizadas, criação de CPFs para burlar bloqueios do sistema e uso de contas ligadas à PMERJ e à Secretaria de Governo (Segov).

A Polícia Federal abriu inquérito para apurar possíveis crimes como inserção de dados falsos, violação de sigilo funcional e invasão de dispositivo informático, além de investigar consultas envolvendo Pessoas Politicamente Expostas (PEPs). A plataforma exige registro do CPF de quem realiza cada consulta, e a auditoria detectou que milhões de documentos de cidadãos sem vínculo com o governo fluminense foram usados para acessar o sistema.

Entre os CPFs usados indevidamente estão o do delegado-geral de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, que negou ter acessado o Córtex, do secretário municipal de Goiás, com mais de 4 mil acessos atribuídos ao seu documento, e do ex-deputado Loester Trutis, com 3.689 consultas em apenas cinco dias.

A investigação ocorre em meio a tensões entre o governo federal e parte dos governadores sobre políticas de segurança pública, tema que ganhou força após a aprovação do PL Antifacção, apoiado pelo governador Cláudio Castro.

O Ministério da Justiça afirma que o caso está em fase preliminar e que já bloqueou acessos suspeitos, reforçou controles e abriu processos para identificar responsáveis. Especialistas, porém, alertam para riscos de vigilância em massa, falta de transparência e fragilidades de controle sobre o uso da plataforma federal.

O Governo do Rio afirma estar colaborando, enquanto a PM sustenta que não houve uso anormal em sua credencial, atribuindo as suspeitas à chave vinculada à Operação Segurança Presente, coordenada pela Segov. Ambas as contas seguem sob análise do Ministério da Justiça e da PF.


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