Congresso dos EUA reabre investigação sobre o programa secreto MK-Ultra

O Congresso dos Estados Unidos reabriu oficialmente a investigação sobre o programa MK-Ultra, projeto secreto conduzido pela CIA durante a Guerra Fria e voltado a experimentos de controle mental em seres humanos. A decisão ocorre quase 50 anos após as primeiras apurações oficiais e foi motivada pela descoberta de novos documentos que indicam que cientistas financiados pela agência de inteligência realizaram testes em pessoas por décadas.

Segundo parlamentares envolvidos na nova investigação, o objetivo é tornar públicos arquivos ainda mantidos sob sigilo e esclarecer a extensão das atividades do programa. Integrantes do Congresso classificaram os experimentos como possíveis “crimes contra a humanidade”, citando o uso de drogas, como LSD, hipnose, tortura psicológica e outros métodos aplicados em indivíduos sem o conhecimento ou consentimento das vítimas.

Criado oficialmente em 1953 por determinação do então diretor da CIA, Allen Dulles, o MK-Ultra foi coordenado pelo químico Sidney Gottlieb. O projeto buscava desenvolver técnicas de controle mental, manipulação psicológica e obtenção de informações durante interrogatórios. Ao longo de aproximadamente duas décadas, os experimentos envolveram universidades, hospitais, prisões e outras instituições, utilizando substâncias psicoativas, eletrochoques, privação sensorial e hipnose em milhares de pessoas.

O programa veio a público em 1975, após investigações conduzidas pelo Comitê Church e pela Comissão Rockefeller. As apurações, porém, foram prejudicadas porque, em 1973, o então diretor da CIA, Richard Helms, ordenou a destruição da maior parte dos documentos relacionados ao projeto. Anos depois, cerca de 20 mil arquivos remanescentes foram localizados graças à Lei de Liberdade de Informação (FOIA), mas parte significativa da documentação permanece classificada. A expectativa dos parlamentares é que a nova investigação revele informações inéditas sobre um dos capítulos mais controversos da história da inteligência norte-americana.

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