Terremotos agravam crise da Venezuela em meio à pobreza e dívida bilionária

A Venezuela enfrenta um novo agravamento de sua crise econômica e social após ser atingida por dois terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 na escala Richter. Um dia depois dos tremores, o país ainda registrava mais de 30 réplicas, enquanto equipes de resgate seguiam na busca por sobreviventes em prédios destruídos na capital, Caracas. O número de mortos, inicialmente divulgado em 165, deve aumentar nos próximos dias, ampliando a tragédia em um momento de extrema fragilidade econômica.

A destruição ocorre enquanto o governo venezuelano tenta reestruturar uma dívida pública estimada em US$ 240 bilhões, considerada a maior do mundo. Paralelamente, a presidente interina, Delcy Rodríguez, anunciou a criação de fundos para a reconstrução, incluindo um aporte de US$ 200 milhões do Fundo Monetário Internacional (FMI). Os danos à infraestrutura, interrupções nas comunicações e problemas no principal aeroporto internacional tornam ainda mais difícil a recuperação do país.

O cenário econômico já era delicado antes da tragédia. Embora a arrecadação com o petróleo tenha apresentado alguma recuperação, a produção continua muito abaixo do potencial do país, que possui as maiores reservas da commodity no mundo, mas atualmente produz cerca de 1,2 milhão de barris por dia. Ao mesmo tempo, a queda recente dos preços internacionais do petróleo reduz uma das principais fontes de receita da economia venezuelana.

A crise também é refletida nos indicadores sociais. Segundo a reportagem, mais de 85% da população vive na pobreza, enquanto a economia encolheu cerca de 80% durante os anos do governo de Nicolás Maduro. Agora, além da necessidade de renegociar a dívida e recuperar a infraestrutura da estatal petrolífera PDVSA, o país terá que enfrentar os elevados custos da reconstrução provocados pelos terremotos, tornando ainda mais desafiador o processo de recuperação econômica.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui