A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira (23) uma operação para investigar suspeitas de fraudes no sistema financeiro nacional envolvendo o Banco Digimais, instituição ligada ao empresário e líder religioso Edir Macedo. Como parte das medidas autorizadas pela Justiça, foram determinados bloqueios de bens que podem chegar a R$ 670 milhões, além do cumprimento de mandados de busca e apreensão relacionados ao caso.
As investigações apuram indícios de gestão fraudulenta, ocultação de prejuízos e possíveis manobras contábeis que teriam sido utilizadas para melhorar artificialmente os balanços da instituição financeira. Segundo informações já reveladas em documentos analisados por especialistas e citados em reportagens anteriores, o banco teria utilizado fundos de investimento próprios para retirar de suas demonstrações financeiras créditos com elevados índices de inadimplência, o que poderia mascarar perdas relevantes.
O Digimais atravessa uma grave crise financeira. Estimativas divulgadas ao longo de 2026 apontaram que a instituição acumulava um patrimônio líquido negativo de aproximadamente R$ 8,5 bilhões. A situação levou o mercado e órgãos reguladores a acompanharem de perto a saúde financeira do banco, que tem atuação concentrada em financiamento de veículos e crédito consignado.
As suspeitas também envolvem operações com fundos de investimento e negociações de ativos que teriam servido para reduzir o impacto dos prejuízos registrados pela instituição. Relatórios e documentos citados por veículos de imprensa indicam que pelo menos R$ 480 milhões em créditos vencidos teriam deixado de aparecer nos resultados oficiais do banco após a adoção dessas estruturas financeiras.
A operação da Polícia Federal busca reunir novas provas e identificar a eventual participação de pessoas físicas e jurídicas no esquema investigado. O bloqueio patrimonial de até R$ 670 milhões tem como objetivo preservar recursos para eventual ressarcimento de prejuízos e garantir a efetividade das investigações. Até o momento, as apurações seguem em andamento e os envolvidos terão oportunidade de apresentar suas versões dos fatos às autoridades responsáveis.












