O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC) instaurou um procedimento interno para investigar um suposto plano de atentado contra a desembargadora Cinthia Bittencourt Schaefer, relatora da Operação Mensageiro, investigação que levou à prisão de 17 prefeitos catarinenses, além de servidores públicos e empresários. A apuração ocorre sob sigilo e está sendo conduzida pelo Núcleo de Inteligência e Segurança Institucional da própria Corte.
A suspeita veio à tona após a Operação DNA do Crime, realizada em 2 de junho de 2026, que teve como alvo empresários investigados por suposta participação em uma organização criminosa. A ação é um desdobramento da Operação Mensageiro e apura indícios de enriquecimento ilícito, corrupção e fraudes em contratos públicos. Segundo as investigações, um dos sete presos na operação teria comentado dentro do sistema prisional sobre um possível plano contra a magistrada.
De acordo com as informações apuradas, o suposto esquema envolveria o monitoramento da rotina e dos deslocamentos da desembargadora. Entre as hipóteses analisadas pelos investigadores está a possibilidade de que os envolvidos pretendiam simular um acidente de trânsito para encobrir uma eventual ação criminosa. Até o momento, não há confirmação sobre quem seria o mandante do suposto atentado.
O caso chamou atenção porque, em março de 2023, Cinthia Schaefer sofreu um acidente de trânsito na BR-101, em Itajaí, enquanto estava em um veículo oficial do Tribunal de Justiça. Na ocasião, ela e o motorista sofreram apenas ferimentos leves, e o episódio foi tratado como um acidente comum, sem indícios de ação criminosa ou abertura de investigação específica.
Em nota, o TJ-SC confirmou a existência da investigação, mas afirmou que não irá comentar detalhes por se tratar de um procedimento sigiloso. O tribunal informou ainda que reforçou a segurança da desembargadora para garantir sua proteção durante o andamento das apurações.
Deflagrada em 2022, a Operação Mensageiro investiga supostas irregularidades em contratos de coleta de lixo e limpeza urbana em diversos municípios catarinenses. Ao longo das investigações, foram realizadas 45 prisões preventivas, expedidos 316 mandados de busca e apreensão e instaurados processos contra 66 pessoas suspeitas de envolvimento em crimes contra a administração pública. Atualmente, todos os prefeitos presos no âmbito da operação respondem aos processos em liberdade e negam qualquer irregularidade.













