A Polícia Federal deflagrou a Operação Rede Interrompida para investigar um grupo extremista suspeito de planejar ataques durante o período eleitoral de 2026. Segundo as investigações, os alvos teriam articulado ações violentas, incluindo a possibilidade de explosões e invasões de prédios públicos em Brasília, com o objetivo de causar instabilidade durante o processo democrático. As informações foram detalhadas nesta terça-feira (4) pelo jornalista Lucas Rocha, em análise publicada pelo ICL Notícias.
De acordo com a apuração, as investigações identificaram comunicações entre integrantes do grupo com referências à fabricação de explosivos e ao planejamento de ataques em datas estratégicas do calendário eleitoral. O material reunido pela Polícia Federal aponta que os suspeitos discutiam formas de promover ações coordenadas para provocar impacto político e social durante a campanha.
A operação faz parte de um conjunto de medidas adotadas pelas autoridades para prevenir ameaças ao processo eleitoral e garantir a segurança das instituições democráticas. As diligências incluem o cumprimento de mandados judiciais e a coleta de provas que possam esclarecer o alcance da atuação do grupo investigado, além da identificação de possíveis financiadores e colaboradores.
Até o momento, a Polícia Federal segue analisando o material apreendido para determinar a extensão do suposto plano e eventual responsabilização criminal dos envolvidos. As investigações permanecem em andamento e novas informações poderão ser divulgadas conforme o avanço das apurações oficiais.
Morador de Canoas é alvo de operação que apura plano de ataque a debate presidencial
Um morador de Canoas foi alvo de busca e apreensão na Operação Rede Interrompida, deflagrada nesta terça-feira (4) para investigar um grupo suspeito de articular ações criminosas durante o período eleitoral de 2026. Segundo a Polícia Civil gaúcha, a apuração inclui referências a um possível ataque durante um debate presidencial, com a utilização de explosivos.
O mandado foi cumprido no bairro Rio Branco, em Canoas, pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco). Aparelhos eletrônicos e outros objetos foram recolhidos e serão encaminhados para análise da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), responsável pelo inquérito.
O investigado não foi preso. A identidade dele e a eventual função que teria no grupo não foram divulgadas. Também não foi informado se o morador de Canoas produziu ou compartilhou algum dos conteúdos identificados pela investigação.
Busca em Canoas integra operação em cinco estados
A Operação Rede Interrompida cumpriu oito mandados de busca e apreensão no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Pernambuco. Os investigados têm entre 19 e 31 anos.
No Rio Grande do Sul, a ação foi executada pela Draco de Canoas. Conforme as informações divulgadas pela Polícia Civil gaúcha, os investigados utilizavam aplicativos de mensagens e ambientes da chamada dark web para discutir uma mobilização durante o período eleitoral.
A investigação teria identificado referências à realização de um ataque durante um debate presidencial do segundo turno, incluindo a possibilidade de utilização de explosivos. Essa informação foi apresentada pela polícia gaúcha ao detalhar a participação do alvo de Canoas na operação.
O comunicado oficial da PCDF, por sua vez, não identifica um debate, local ou evento específico. O documento informa que as comunicações analisadas mencionavam reiteradamente Brasília como destino de uma mobilização prevista para as eleições de 2026.
Até o momento, as autoridades também não divulgaram em que estágio estaria o suposto planejamento nem se os investigados dispunham efetivamente de explosivos ou de outros materiais necessários para executar um ataque.
Mapas, plantas de prédios e manuais de explosivos
Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal, as conversas incluíam discussões sobre invasões de edificações, seleção de alvos, formação tática e recrutamento de participantes em diferentes estados.
Os investigadores também identificaram análises de mapas e o compartilhamento de plantas arquitetônicas e modelos tridimensionais de prédios situados na região central de Brasília. Manuais para fabricação de artefatos explosivos teriam circulado entre integrantes do grupo.
Os mandados foram solicitados para preservar provas digitais e materiais, apreender dispositivos eletrônicos, identificar possíveis conexões ainda desconhecidas e verificar o grau de organização e desenvolvimento das ações discutidas.
No caso de Canoas, os aparelhos e objetos recolhidos ainda passarão por perícia. Portanto, não há conclusão divulgada sobre o conteúdo encontrado nos equipamentos nem sobre a responsabilidade individual do investigado gaúcho.
O delegado regional de Canoas, Cristiano Reschke, destacou a integração entre as unidades policiais envolvidas na operação e a troca de informações com os agentes vinculados ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Investigação começou com relatório do Ciberlab
A apuração teve início após a PCDF receber um relatório técnico elaborado pelo Ciberlab, laboratório vinculado à Secretaria Nacional de Segurança Pública, do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
A partir dessas informações, a Divisão de Prevenção e Combate ao Extremismo Violento (DPCEV) instaurou um inquérito para aprofundar a análise das comunicações e identificar os participantes.
Neste momento, os investigados são apurados, em tese, pelos crimes de associação criminosa, incitação ao crime, apologia de crime ou criminoso e delitos previstos na legislação antirracismo.
A PCDF ressalta que os fatos ainda não foram enquadrados na Lei de Terrorismo. Essa definição poderá ser revista conforme o conteúdo dos materiais apreendidos e o avanço das investigações.
“A responsabilização individual dependerá da análise pericial dos materiais apreendidos e da conclusão do inquérito policial”, informou a PCDF.
As investigações permanecem sob sigilo. A polícia ainda pretende esclarecer a autoria, a materialidade, as circunstâncias e o estágio de desenvolvimento das possíveis infrações penais.












