MPT apura denúncias contra direção de colégio católico em Cuiabá

O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT) abriu um procedimento para apurar denúncias de possível assédio moral contra profissionais do Colégio Salesiano São Gonçalo, em Cuiabá. As acusações foram apresentadas pelo Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino de Mato Grosso (Sintrae-MT) e envolvem integrantes da direção da unidade.

De acordo com informações confirmadas pelo MPT à imprensa, o procedimento também verificará um eventual descumprimento de um Termo de Ajustamento de Conduta, conhecido como TAC, firmado entre o colégio e o órgão trabalhista em 2008. Entre as obrigações previstas no acordo está a proibição de práticas que possam caracterizar assédio moral. O órgão informou que a apuração permanece em andamento.

As denúncias tornaram-se públicas após o Sintrae-MT divulgar uma carta aberta dirigida ao diretor do colégio, padre Marcelo Fujimura. O documento também menciona o vice-diretor, padre Danilo Guedes, e a coordenadora pedagógica Michela Falcão.

Segundo o sindicato, professores e funcionários administrativos teriam sido submetidos a um ambiente de insegurança, hostilidade, pressão e perseguição. A entidade afirma que as situações relatadas estariam provocando desgaste emocional, desmotivação e adoecimento entre trabalhadores.

O que diz a denúncia

Entre os episódios descritos pelo sindicato estão supostos tratamentos considerados grosseiros, cobranças de demandas fora da jornada de trabalho, entrada de membros da direção em salas de aula sem comunicação prévia e constrangimentos diante de estudantes.

A carta também cita a elaboração de relatórios com avaliações consideradas subjetivas sobre professores, abordagens a alunos para obtenção de críticas contra docentes e alegações de intolerância religiosa e desrespeito à diversidade. Todos esses pontos são acusações apresentadas pela entidade sindical e ainda dependem da apuração das autoridades competentes.

O Sintrae-MT sustenta que as práticas seriam reiteradas e teriam comprometido a confiança entre os profissionais e a gestão escolar. A entidade pede providências, abertura de diálogo e garantia de condições de trabalho respeitosas.

Colégio nega assédio e perseguição

Em nota pública, a direção do Colégio Salesiano São Gonçalo negou que a gestão seja orientada por assédio moral, autoritarismo ou perseguição.

A instituição afirmou que o acompanhamento das atividades de ensino é realizado de maneira técnica, planejada e documentada, dentro das atribuições legais e regimentais da direção. Segundo o posicionamento, esse acompanhamento não teria caráter disciplinar nem finalidade de constranger pessoalmente os educadores.

O colégio também declarou que respeita a liberdade de manifestação das entidades sindicais, cumpre a legislação trabalhista e está disponível para apurar fatos concretos e individualizados que sejam formalmente apresentados. A instituição acrescentou que repudia qualquer forma de assédio e práticas contrárias à dignidade humana.

Investigação ainda não aponta culpados

A abertura de um procedimento pelo MPT não significa que as acusações tenham sido comprovadas. A investigação deverá reunir documentos, ouvir as partes envolvidas e verificar se as condutas relatadas configuram assédio moral ou descumprimento do acordo firmado em 2008.

Até a conclusão da apuração, os nomes mencionados devem ser tratados como alvos de denúncias, com direito ao contraditório e à ampla defesa.

Fundado em 1894, o Colégio Salesiano São Gonçalo é uma das instituições de ensino mais tradicionais de Cuiabá e oferece educação infantil, ensino fundamental e ensino médio.

Fontes consultadas: Ministério Público do Trabalho, por meio de manifestação reproduzida por veículos locais; nota oficial do Colégio Salesiano São Gonçalo; carta pública do Sintrae-MT; página institucional da Missão Salesiana de Mato Grosso.

Materia originalmente publicada no site NOTICIA MAX

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui