O número de intoxicações por agrotóxicos no Brasil registrou forte aumento nos últimos anos e voltou a colocar em debate os impactos do uso dessas substâncias sobre a saúde pública e dos trabalhadores rurais. Levantamento realizado pela Repórter Brasil com base em dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, aponta que o país registrou 9.729 casos de intoxicação por agrotóxicos em 2025, o equivalente a uma média de 27 pessoas afetadas por dia.
A reportagem destaca que parte das substâncias envolvidas nos casos tem relação com produtos utilizados na agricultura e que alguns princípios ativos autorizados no Brasil já foram proibidos ou tiveram restrições em países da União Europeia por preocupações relacionadas aos riscos ambientais e à saúde humana. A análise aponta que o crescimento das notificações ocorre em um cenário de aumento da disponibilidade e do uso de defensivos agrícolas no país.
Entre os principais afetados estão trabalhadores do campo, especialmente homens em idade economicamente ativa. Dados analisados pela Repórter Brasil mostram que, em 2025, oito em cada dez intoxicações relacionadas ao trabalho envolveram agrotóxicos agrícolas, com 3.322 registros entre 4.127 ocorrências ocupacionais notificadas. O Ministério do Trabalho e Emprego afirmou que considera inadmissível que interesses econômicos se sobreponham à proteção da saúde dos trabalhadores e da população.
Especialistas apontam que os números podem representar apenas uma parte do problema, devido à subnotificação de casos. A Organização Mundial da Saúde estima que uma parcela significativa das intoxicações por agrotóxicos não chega aos sistemas oficiais de registro, principalmente quando os sintomas não são imediatamente associados à exposição química. O Ministério da Saúde informou que acompanha os casos por meio do Sinan e mantém ações de vigilância e prevenção para populações expostas a agrotóxicos.
O avanço das intoxicações amplia o debate sobre fiscalização, segurança no uso de defensivos e equilíbrio entre produção agrícola e proteção à saúde. Enquanto entidades do setor produtivo defendem o uso de tecnologias e produtos registrados pelos órgãos reguladores, pesquisadores e órgãos públicos reforçam a necessidade de ampliar medidas preventivas, treinamento de trabalhadores e monitoramento dos impactos causados pela exposição aos agrotóxicos.












